sexta-feira, 17 de julho de 2009

A receita do governo Maroca para viver em crise

O governo Maroca assumiu uma cidade com enormes déficits estruturais. Há problemas graves no saneamento, na saúde, na educação, no trânsito, no transporte é um estoque problemas de dimensões oceânicas. Como medida acertada trouxe profissionais competentes para enfrentar esses desafios. Pessoas que já provaram a sua capacidade de realização em diversos outros lugares como Maria Lisboa, Estevâo Bakô, Lea Braga entre alguns outros. Até aí tudo certo. Mas sigamos para ver que é só até aí.

No começo o governo chegou cheio de si, como se diz, assumindo uma postura arrogante e prepotente. Do alto de seu capital político saído das urnas o governo praticou a anti-política, tratando os apoiadores de campanha como meros cabos eleitorais comprados a quem não devia nem explicação. O vice-prefeito, a quem sonhavam vê-lo logo assumindo a vaga na Assembléia, o que acontece agora, foi tratado a chutes e pontas pés. O que provocou bem no começo um forte conflito com o aliado de campanha. A Câmara foi ignorada, nem líder o prefeito se deu ao trabalho de escolher durante um longo período. E no dia 17 de Março o governo recebe o primeiro sinal de que as coisas não estavam bem, foi quando "O Governo Maroca sofre acachapante derrota na Câmara Municipal de Sete Lagoas - com menos de 90 dias de gestão ".

De lá prá cá a tensão só fez aumentar entre Executivo e Legislativo. O registro desse processo está fartamente postado aqui no Blog. Mas há além da atitude arrogante e da ausência de articulação política do governo, outros dois equívocos absurdos que ficam escancarados a cada dia. Um é mais pontual e bem localizado com a péssima liderança do governo na Câmara e outro mais, como digo, filosófico, o governo está com a premissa errada.

Falo primeiro do desastre que é a liderança do governo na Câmara. O líder já errou de todas as formas que se possa imaginar. Falta ao bom moço, Conhecimento, Habilidade e Atitude. Não, não é nenhum excesso dizer isso, e quando falo publicamente, falo até com pesar pela amizade que tenho pelo Renato, que já me permitiu dizer isso, muitas vezes e antecipadamente a ele. Mas não há como esconder a realidade gritante. E a sua incapacidade absoluta para o exercício da liderança é só mais uma peça importante de uma atitude política errada do governo. Adiante.

Renato erra por omissão e ação. E ele erra menos por falta de apoio material do que por falta de atitude, incapacidade de articulação e de comunicação. Ele não faz o devido confronto político porque acredita que isso é uma política má, além de sua dificuldade para comunicar em público e por fim porque atende a uma política equivocada de governo. No plenário da Câmara já testemunhei Renato deixar de retirar estrategicamente projeto de pauta, perder o time para argumentar, tentar falar e não conseguir se expressar direito e se omitir quando seria fundamental que o governo se posicionasse em relação a projetos e na defesa dos quadros do governo.

E veja mais a oposição faz tempo usa-o em suas iniciativas. Caio Dutra quando foi verificar o endereço das empresas participaram da licitação para limpeza dos lotes que gerou quase uma CPI levou Renato a tiracolo; Reginaldo Malvadeza acaba de fazer o mesmo. Vejam, faltando um dia para fim das aulas e depois que a secretária esteve na Câmara falando das contingências sobre a questão alimentação - leite - e até depois de um manifesto sobre o assunto o vereador Reginaldo prosseguiu com suas diligências às escolas para acompanhar o nível do estoque de alimentos e incrivelmente levou a tiracolo o líder do prefeito, Renato Gomes. Quer dizer, ele está cumprindo uma agenda da oposição. Mais: veja o exemplo do que aconteceu nesta escola.

Um dia antes do encerramento das aulas Reginaldo Tristeza foi a Escola Municipal Monsenhor Mesias verificar o nível de alimento. Depois visitar a escola, Reginaldo chamou a polícia para fazer um Boletim de Ocorrência sobre a baixa quantidade de alimentos que encontrou lá. A diretora que recebeu os policiais simplesmente comunicou que a quantidade de alimentos era por conta do fim das aulas e a reposição do estoque aconteceria para volta as aulas em agosto. Nada mais natural, não é? Mas, conclusão, Renato Gomes que acompanha Tristeza cumpria mais uma agenda da oposição. E claramente esse fato de ser acompanhado pelo líder do prefeito será usado pelo vereador Reginaldo Tristeza para dar mas densidade a sua causa de derrubar a secretária de Educação.

Mas deixando o comportamento do líder do prefeito, entro em outro comportamento também errático, o do prefeito Maroca. Na entrevista que me concedeu Maroca falou em buscar os 13 vereadores... "A Câmara hoje são 13 vereadores e nos vamos estar nos reunindo e nos queremos um tratamento igual." E na reunião que fez com o seu secretariado na semana passada o enfoque esteve no tratamento do secretariado com os vereadores e num "bom relacionamento com a Câmara". Aí você me pergunta: "pó Léo não é o certo isso?" Vejamos.

O tratamento cordial e amigável deve ser buscado sempre, mas isso é parte superficial que não atende a necessidade da gestão do relacionamento político entre Executivo e Legislativo, ou entre governo e oposição. Ou seja, não é pedindo mais educação no trata com os vereadores que o prefeito vai melhorar a sua governabilidade de verdade. Não é buscando os 13 vereadores que o governo vai conseguir avançar na sua agenda. Ele vai conseguir avançar quando consolidar a sua própria base que está dispersa e desorientada. Maroca hoje está fazendo o jogo da oposição ao invés de investir fidelização da sua base.

Explico. Maroca está a exemplo do seu líder vacilante e como disse deixa sua base sem saber como agir, e é aí que o líder que já é fraco vira um completo pastelão. Nesse sentido, o governo tem dispensado mais energia tentando agradar a quem é impossível: a oposição, que os vereadores aliados. Assim, ao contrário de fortalecer as alianças tende a enfraquecer as existentes. E o seu correligionário José Serra já ensinou que não pode conseguir a governabilidade através da oposição. Repare o que ele diz: "Temos presente que a governabilidade é tarefa de quem obteve nas urnas o mandato para governar. Não me passa pela cabeça, por exemplo, transferir para a oposição o dever de assegurar a governabilidade do estado que me elegeu."

E Maroca está cometendo o grave equivoco de tentar viabilizar o governo focando na oposição. Enquanto ele não aprender que política também é o bom combate vai perder feio. E não pode ser nem a prepotência do começo de seu governo e nem é o caminho da submissão covarde que está tomando. Maroca esta com a premissa errada e vai tomar muita chicotada de Reginaldo Tristeza e Caio Dutra até aprender a fazer política.

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