segunda-feira, 27 de julho de 2009

SAAE E O CONFLITO DE INTERESSES: PÚBLICO X COMERCIAL

O jornal Sete Dias traz uma matéria que informa que o prefeito Maroca pretende comercializar o copinho com água envasada pelo SAAE. “Pode gerar receita, o que é muito importante pra a reestruturação do SAAE e, consequentemente, traz a valorização do funcionário”, disse Maroca na reportagem. Bem, o prefeito quer mesmo virar um negociante de água. É, estamos de fato diante da política do delírio, como se verá.

Já é um absurdo extremo o investimento para a produção em pequena escala e distribuição seletiva de um produto de qualidade superior ao fornecido a população de Sete Lagoas. Agora pensem: o município investindo recursos que não tem para o básico para produzir numa escala suficiente água para comercialização, de forma a “gerar receita” para uma suposta reestruturação do SAAE? Quanto precisaria ser investido? Muito, muito dinheiro. E qual é a certeza de que o negócio é rentável? Pode ser, como calculo, um grande prejuízo. O prefeito tem um estudo para falar em comercialização? Isso deveria ser uma prioridade?

A produção para distribuição seletiva grátis já era uma heresia. Agora resolveram esfolar mesmo o bom senso, invertendo as prioridades. A equação ficaria mais ou menos assim. A população teria que pagar um preço alto para ter uma água de qualidade comercializada em pequena escala pelo SAAE, porque a que custa pouco e chega as residências, essa é péssima.

Ah, mais se a Copasa pode, por que o SAAE não pode? Deve ser esta a lógica, não é? Então, vejamos qual é lógica da Copasa:

A COPASA (link aqui) “ENVASA PROMOCIONALMENTE SUA PRÓPRIA ÁGUA TRATADA QUE É DISTRIBUÍDA EM EVENTOS PÚBLICOS E PRIVADOS, COMO FORMA DE MOSTRAR A QUALIDADE DE SEU TRABALHO EM CUIDAR DA ÁGUA.”

RETOMANDO
QUER DIZER, O OBJETIVO DA COPASA É MOSTRAR A QUALIDADE DO TRABALHO, E MAIS: A ÁGUA POTÁVEL ENVASADA POR ELA É A MESMA QUE A POPULAÇÃO RECEBE EM CASA; A DO SAAE NÃO É!!!

Mais: as água minerais Araxá, Cambuquira, Caxambu e Lambari que ela comercializa foi para cobrir o desinteresse da iniciativa privada pelo negócio, como está documentado e subscrevo um trecho a seguir:

As águas [Araxá, Cambuquira, Caxambu e Lambari] vinham sendo exploradas, até julho [2005] do ano passado, por um grupo privado, quando foi encerrado o contrato. A CODEMIG DIVULGOU AMPLAMENTE UMA CONCORRÊNCIA PÚBLICA PARA A EXPLORAÇÃO DAS FONTES, MAS APESAR DE MAIS DE OITENTA EDITAIS TEREM SIDO ENTREGUES, NENHUMA EMPRESA APRESENTOU PROPOSTA PARA CONTINUAR ENVASANDO AS MAIS TRADICIONAIS ÁGUAS MINERAIS DO PAÍS.

Com isso, a decisão para a retomada das atividades, que tem grande impacto econômico e social nas quatro cidades e, são estratégicas na política do Governo de Minas em revitalizar e promover o desenvolvimento do Circuito das Águas, foi encarregar a Copasa de assumir o envasamento e a comercialização das águas minerais mineiras.

Voltei
A entrada no mercado de águas minerais se deu como uma ação governamental mineira de caráter social de uma região e não como um foco de negócio para empresa. Que se fosse tão bom negócio teriam aparecido empresas interessadas na atividade, não é mesmo?
Concluindo, a entrada do SAAE comercialmente no negócio de água, se ocorrer, é, sim, uma opção pela política anti-social. O negócio só pode dar minimamente certo se o SAAE continuar entregando uma água ruim, do contrário qual é motivação para se comprar o copinho de água do SAAE? SÃO ATIVIADES QUE CONFLITAM O INTERESSE COMERCIAL COM O INTERESSE PÚBLICO. Para uma dar certo a outra tem que dar errado.

Como aceitar essa política do delírio negocial que estamos a assistir? Sete Lagoas não adiciona nem o flúor água, como admitir que essa autarquia agrege um o negócio de comercialização de copinhos de água? Meu Deus do Céu isso é cumulo da insensatez e do desrespeito com Sete Lagoas.
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