domingo, 11 de outubro de 2009

Entrevista de Fernando Pimentel (PT) ao Jornal O Tempo; se coloca como mistura de Lula com o Aécio - o Lulécio


Por Carla Kreefft, no O Tempo:

Pré-candidato do PT ao governo do Estado, Fernando Pimentel diz que aposta em um entendimento para a escolha do nome petista ao Palácio da Liberdade, dispensando as prévias. Ele acredita que é preciso uma aliança ampla, que personifique o voto Lulécio.

Qual a relação entre a eleição interna do PT (PED) e a escolha do candidato ao governo do Estado?
O PED terá muito peso porque o colégio eleitoral é o mesmo. Os eleitores filiados que estão indo agora votar para a chapa de presidente são os mesmos que vão votar, supondo que haja prévias, nos postulantes a governador. E não é difícil fazer essa aferição. Nós temos três formas muito fáceis de fazer. Primeiro, é você somar os votos para o diretório estadual que estão alinhadas comigo e os que estão alinhados com o ministro Patrus. São cinco chapas que estão no nosso campo, e três ou quatro no campo do ministro. Essa é uma aferição. Outra, mais fácil do que essa primeira: os votos para o candidato a presidente estadual do partido. O candidato Reginaldo Lopes, que é o atual presidente, já declarou que apoia a minha postulação. Dos outros três candidatos, dois deles já declararam que apoiam o ministro Patrus - Gleber e o Padre João. O Gilmar Machado diz que não tem uma posição ainda. Mas tem outra forma mais fácil ainda. Nós temos seis ou sete chapas para o diretório nacional do PT. Dessas, eu estou em uma e o ministro Patrus em outra. Os votos que vão para a chapa na qual eu estou certamente não irão para o ministro em uma prévia. E vice-versa. Então, nós temos três formas de aferição muito eficientes, isoladas ou combinadas. Eu acho que é absolutamente desnecessário prolongar esse processo. Podemos encerrar isso com o PED. O partido inteiro acha isso.

Qual a diferença entre a sua pré-candidatura e a do ministro Patrus?
Eu não faço discurso que exclua o ministro, de jeito nenhum. Eu quero a unidade. O que o partido tem que discutir é a estratégia para chegar ao Palácio da Liberdade. Se é uma estratégia mais excludente, se é uma estratégia menos flexível, com um discurso mais áspero em relação às duas gestões do governador Aécio Neves, ou se, ao contrário, nós vamos procurar um caminho mais amplo. Buscar uma aliança mais ampla. Porque Minas tem um desafio: a base aliada do presidente Lula aqui é base aliada do governador, exceto o PMDB. Mas precisamos transitar bem nos outros partidos também - PTB, PP, PR, PSB, que os meus opositores dentro do PT não apoiaram na aliança em Belo Horizonte. Você vê que aí tem um jogo político muito refinado. Eu acho que o PT hoje está maduro para perceber isso. Não é um desmerecer o outro. É buscar qual é o melhor para agregar mais e para fazer essas alianças. É mais uma diferença de estratégia eleitoral. Não tem divergência de fundo. Tanto eu quanto Patrus pensamos muito igual. Nós estamos no mesmo partido.

E como se daria essa aliança mais ampla?
Nós temos que esperar para ver. Não tem uma receita pronta. Ainda não podemos nem começar esses movimentos em favor da aliança. Aí está a importância de se encerrar esse processo interno agora. Não podemos começar esses movimentos sob pena de estarmos atropelando o meu partido e os demais aliados.

E o PMDB?
É o maior partido, é o que mais é demandado, o que mais desperta interesse mesmo, pelo seu tamanho e pelo fato de que ele tem um pré-candidato a governador, que é o ministro Hélio Costa. É uma discussão que vai ter que ser feita com muita delicadeza, com muito respeito às postulações de cada partido, ao ministro Hélio Costa. A única coisa que a gente sabe é que o PT de Minas tem vontade de ter candidatura própria.

O PT faria o sacrifício em nome da aliança nacional?
Acho muito difícil. Porque não é uma questão pessoal, nem para mim nem para o ministro Patrus. É difícil porque o partido tem essa posição em favor da candidatura própria. Nós estamos seguramente no melhor momento da história política do PT, no melhor momento da política nacional e em Minas Gerais. Temos dois excelentes nomes, temos uma avaliação positiva. E temos o maior cabo eleitoral do país, talvez do planeta, que é o presidente Lula. Neste momento, você convencer um militante petista de Minas de que ele deve terceirizar a candidatura de governador é muito difícil. Diria que é impossível. O caso de Minas é peculiar. Veja bem, as pesquisas apontam o ministro Hélio Costa como o primeiro colocado, e isso é real. Agora, nas pesquisas qualitativas, a situação não é exatamente essa. O PMDB sabe disso. Ainda tem um outro componente que é o seguinte. Primeiro, nós temos dois personagens fortes em Minas Gerais: um é o presidente Lula, e outro, o governador Aécio Neves. E esses personagens, na cabeça do eleitor mineiro, ficaram juntos nas últimas eleições, dando origem ao chamado voto Lulécio. O eleitor mineiro votou por duas vezes em Lula e Aécio e não se arrependeu. O sentimento que deu origem a esse voto não se esgotou. Ele está aí. Como vamos usá-lo? Essa é a pergunta que tem que ser respondida. Quem vai personificar o sentimento do chamado Lulécio?Do ponto vista partidário, temos que tentar fazer uma base aqui tão ampla quanto foi a base que elegeu Lula. Mas, tão importante quanto o ponto de vista partidário, é o ponto de vista do imaginário do eleitor. Qual desses personagens que estão postos aí mais se aproxima desse sentimento, que é muito forte?

O senhor seria esse personagem?

Não sei. O partido tem que definir. Não quero adiantar nada.

E qual o peso de Minas na eleição nacional?
Muito grande. Tudo indica que, sendo nosso adversário o governador José Serra, ele sai de São Paulo com uma votação muito grande. Então, essa diferença terá que ser compensada por Minas. Eu acho que o PT, que vai fazer essa escolha interna, tem que estar pensando nisso. Qual a melhor estratégia para trazer Minas Gerais para o nosso campo? É muito claro que a base aliada de Lula não ficou conosco em Minas Gerais. Isso tem a ver com a força do governador. Mas, agora, ele não é mais candidato. Então, nós temos o dever de buscar esses partidos para apoiar a Dilma, mas também nos apoiar. Isso tem que ser considerado com tanto peso quanto a aliança com o PMDB. É fundamental.
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