terça-feira, 13 de outubro de 2009

A visão errada na saúde de Sete Lagoas; se José Orleans continuar pensando grande demais desse jeito, ai ai


Como prometi começo a me aprofundar neste texto no tema saúde em Sete Lagoas esse que é um dos assuntos mais difíceis e mau resolvidos de nossa cidade. O momento é oportuno por conta do colapso do sistema e da situação "explosiva" nas palavras da Dra. Francimar Lemos Baeta Evangelista e da reposta tática e estratégica dos poderes executivos e legislativos ao desafios.

Semana passada Câmara Municipal e Médicos locais levantaram a voz para denunciar o problema da saúde. Na reunião do legislativo onde três médicos se fizeram presentes para alardear a gravidade da situação, houve um intenso debate e responsabilização do executivo que foi acusado de "omisso". A tensão entre profissionais de saúde e poder público chegou a tal grau que o assessor do secretário da saúde foi agredido fisicamente pelo médico ortopedista, Dr. Daniel Caldeira Lima. E por sua vez a Dra. Francimar Lemos que foi a porta-voz dos médicos relatando um quadro absolutamente sombrio com a crescente evasão de médicos, que "optam por não trabalhar em nossa cidade", disse. Já chegou segundo a médica por conta dessa evasão de profissionais em recente final de semana ter apenas um clinico geral para atender toda a demanda emergencial da cidade.

E em resposta as cobranças a prefeitura recorreu a situação da saúde nacional, e falou de melhorias que estão a caminho no Hospital Municipal, com novos equipamentos e também a implementação sistemas avançados de gestão. O secretário de Saúde ainda elencou uma série de medidas fora de sua área de governabilidade como a regulamentação da Emenda Constitucional número 29, que depende do congresso e como disse da "repolitização" da saúde pública no país. "É preciso voltar a discutir o SUS fora de seus muros". E completou sentenciando o secretário "Sem um convencimento da sociedade brasileira de que o SUS vale a pena e de que necessita de mais dinheiro, não haverá recursos suficientes para financiá-lo." E o titular da pasta de saúde falou até da necessidade de criação da Contribuição Social de Saúde (CSS).

Como o leitor deve ter notado há uma colossal distância entre um discurso e outro. Enquanto os médicos falam do dia-a-dia o secretário olha para a questão macro-estratégica da saúde nacional. Na agenda dos médicos há muito de flagrante interesse corporativista como o foco no aumento salarial, com o direito a férias, 13º salário, aumento na remuneração dos plantões e outros penduricalhos. Já o secretário parece muito distante da realidade local, mais orientado para as grandes políticas nacionais de saúde. E, além disso, revela o secretário um excesso conceitual perigoso, ele tem como ficou claro na audiência de saúde um enfoque muito grande em ações preventivas em detrimento de uma rede assistencial. E aí reside como se verá a seguir o risco.

Reparem que foi essa visão que levou absurdamente a duas decisões totalmente erradas. Foram a redução do Hospital Regional a um pronto socorro e a aposta no Programa de Saúde da Família (PSF, agora com nome novo de ESF - Estratégia de Saúde da Família). Ou seja, da ação assistencial para supostamente preventiva. E como medida complementar se tomou com endoço da Câmara de Sete Lagoas (um erro por unanimidade) a decisão elevar o salário de médicos do PSF, deixando de priorizar a necessidade mais urgente e eficaz que são equipes assitêncial e de emergência. Uma iniciativa que tem como meta expressa no texto o aumento para 42 equipes com correspondente número de médicos. Resultado? Fracasso, não se consegui contratar nem mesmo os médicos para completar as equipes existentes – 32, em sete faltam doutores.

Para o secretário Dr. José Orleans "(...) gestão apenas não resolve. Tem que ter gestão e dinheiro." Pois eu digo não basta dinheiro e gestão tem que fazer as escolhas certas e nesse caso me parece que o meu amigo Orleans a quem tenho grande estima pessoal está se deixando levar mais pela literatura romântica da área, que pela realidade concreta. E nesse sentido acredito que o secretário está com a visão equivocada. Dr. Orleans está cometendo um grande erro porque está com a visão errada, e como pensa muito grande fica parecendo estar em cima de um pedestal.

Além do erro ao diminuir drasticamente o tamanho do Hospital Regional de 240 leitos para cerca de 100 leitos, o secretário parece não estar liderando. "Não posso ficar visitando unidades, tenho que buscar recursos para a saúde, garantir os princípios constitucionais do SUS, a qualidade do seu atendimento, procurar soluções para viabilizar o planejamento, estabelecer parcerias com outros municípios para procedimentos de complexidade que estejam acima daqueles que Sete Lagoas pode oferecer(...)", diz José Orleans. Acontece Doutor que o controle está lhe saindo das mãos, ou o senhor repensa urgentemente sua visão e a de seu prefeito que é contra o Hospital Regional e vai a campo liderar ou próximo levante não será mais dos médicos mais da população contra o senhor esse seu chefe saudosista que está fazendo a cidade perder inúmeras oportunidades em todas áreas. Volto ao tema mais tarde. Estou só começando a me aprofundar no assunto saúde, logo, mais textos sobre esse outro drama de Sete Lagoas, que é a saúde.
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