segunda-feira, 26 de outubro de 2009

AÉCIO NEVES É MAIS-LULA; NÃO PÓS-LULA


Aécio Neves diz que caso seja candidato “o jogo das alianças começaria novamente do zero”. Aécio esta dizendo quê no jogo pelas alianças ele é um competidor a altura de Lula, ou numa definição mais precisa ela é como Lula. É capaz de agregar mais...

Serra não estaria a altura deles: Aécio e Lula. Assim por essa sua capacidade especial ele deveria ser o candidato e não José Serra. Raciocínio interessante esse seu, a rigor ele está acenando com mais do mesmo aos políticos.

Ele, Aécio, então, não é pós-Lula, mas, mais Lula. E também é mais FHC. Explico. Fernando Henrique como Lula conseguiu manter um arco de alianças bastante heterogênea e um tanto fisiológica, assim como Lula tem hoje, num grau menor do tomá-lá-dá-cá, que chegou o petismo. Portanto, Aécio seria mais FHC, mais Lula.

O que quer Aécio? Assustar e assim atrair os políticos, sobretudo, aqueles mais tradicionais afeitos ao velho jogo fisiológico que temem exatamente que Serra não faça concessões que não atendam aos seus apetites. É interessante observar, no entanto, que no jogo de soma política quem ganha é o seu competidor interno.

Apesar da retórica agregacionista do governador do meu estado, o PMDB de Minas acabou de se somar ao bloco oposicionista com o PT, na Assembleia, e se diz firme na aliança com Lula. Enquanto isso o PMDB paulista caminha lealmente com o Serra e até briga por ele dentro do PMDB.

Se Aécio estiver falando como parece da capacidade de atrair os velhos caciques como os Sarneis e Renas da vida, eu não tenho dúvida: ele sai na frente. Aliás, Aécio é mesmo um político de articulações singulares. Ele conseguiu que o PT entrasse numa aliança com ele para disputa na capital mineira, isolando o Democratas e forjando contra si um bloco de centro esquerda, que reuniu os dissidentes do PT, o PMDB e demais partidos. E estes lhe infringiram uma derrota política e, por pouco, não fosse eles terem um péssimo candidato, Leonardo Quintão (PMDB) teriam lhe derrotado nas urnas. E que se diga o bloco oposicionista que ora nasceu na Assembleia teve sua fecundação na eleição, numa articulação anti-Aécista.

“Ah, mais Aécio Neves conseguiu o apoio do Rodrigo Maia, presidente do DEM.” Pois é ne só, como o DEM deve estar desapontado com o seu suposto líder, dos 56 deputados do partido 49 preferem seguir firme com José Serra informa a pesquisa com os parlamentares feita pela consultoria Arko Advice. Rodrigo Maia, o filho do pai Cezar, acabou se posicionando ao lado do neto do Avô. Coisas de famílias brasileiras, é fácil compreender. Para isso Rodriguinho só precisava de uma desculpa, e ela veio no jantar de Serra com o grande líder de fato e de direito do DEM, o ex-senador Jorge Bonhausen, onde ele não foi convidado.

Encerrando, Aécio recorre a uma capacidade especial, e ainda não provada na prática, de agregador de alianças externas, mas o que está visivelmente está conseguindo é desagregar internamente. Tem outras estratégias mais legítimas, não? O governador de Minas está ignorando os pontos ganhos pelo seu colega José Serra durante o campeonato e está altura fala em zero a zero. Mas Aécio só conseguiu em dois mandatos a frente do segundo colégio eleitoral do país, um quarto lutar na tabela das pesquisas, atrás até do porra louca, do Ciro Gomes, agora vem acenar com “o jogo das alianças” declarando-se à altura de Lula. Acontece que o governador parece ignorar que desse jogo a sociedade está farta, como lhe provou BH ao derrotar seu jogo político (tese da covergência) na capital e quase levá-lo à lona eleitoral. Aécio só esta revelando ao dizer que com ele “o jogo das alianças começaria novamente do zero” que se nivela a Lula para zerar o jogo, deixando claro que o seu pós-Lula na verdade é MAIS-LULA. Aí Dilma é mais original, não?
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