domingo, 25 de outubro de 2009

Entrevista Hélio Costa, ao Jornal O Tempo


"Desunião de PMDB e PT em MG nos levaria a uma derrota"

O ministro das Comunicações e pré-candidato ao Palácio da Liberdade, Hélio Costa, defende um único candidato da base de Lula no Estado para vencer, mas não descarta se aproximar do PSDB de Aécio Neves. "Nós temos um projeto para Minas Gerais", garantiu o peemedebista.


Por Murilo Rocha, O Tempo:
O senhor se apresenta como pré-candidato do PMDB ao governo do Estado e com um projeto em gestação para Minas. Essa é a definição?
Como candidato a governador, tenho um projeto para Minas. Estamos chamando nossas lideranças de todas as regiões de Minas a contribuir em um projeto, mostrar deficiências e necessidades de cada região para avaliarmos se o PMDB tem alguma contribuição a fazer com uma candidatura. Ser candidato para ser candidato não é o que queremos.

Qual é a prioridade desse projeto para Minas Gerais?
O PMDB entende que o problema mais sério é o desemprego. Então vamos trabalhar dentro da nossa proposta de governo para que a gente possa criar instrumentos de geração de emprego, em todas as regiões, notadamente naquelas mais distantes do centro econômico de Minas, que é a região metropolitana de Belo Horizonte. Esse é nosso principal objetivo.

Há outras prioridades nesse projeto do PMDB para o governo de Minas?
Estamos vivendo uma era de abuso do solo mineiro. O pré-sal nos alertou para a questão do minério. Se você faz uma comparação, o Rio de Janeiro recebe R$ 6 bilhões por ano com os royalties do petróleo e Minas recebe R$ 100 milhões do minério. Quem vai fazer essa defesa é o PMDB, é uma candidatura a ser colocada pelo PMDB, porque minério não dá duas safras.

O senhor fala em um projeto do PMDB, uma bandeira do partido em Minas. Mas o partido não está divido no Estado?
O PMDB não está dividido em Minas. Se existe uma divergência, é apenas sobre quem será o presidente do partido em Minas, em janeiro. Não existe divergência sobre o projeto do PMDB.
Quando o partido irá decidir se é viável ou não lançar a candidatura?
Ao contrário de outros partidos e outros candidatos, o PMDB não faz exigências com relação à proposta de governar Minas. Nossa candidatura não é irremovível. O PMDB faz uma única exigência, que é a de que ninguém faça exigências. E que o candidato da base aliada se faça de uma grande aliança, que seja escolhido após uma série de pesquisas que possam resultar em uma indicação razoável. A grande questão é a viabilidade eleitoral.

Então o senhor defende um candidato único da base aliada após a definição das candidaturas de cada partido?
Sim, até porque são vários cargos majoritários em disputa no ano que vem. Governador, vice, senadores, deputado federal, estadual. Não é apenas uma eleição para o governo, ainda temos uma grande eleição de presidente da República - q Minas sempre é vista como o Estado que pode definir uma eleição presidencial.

Hoje o PMDB, dentro dessa linha programática, está mais perto do PT ou do PSDB em Minas?
O nosso aliado natural seria o PT. Mas você só pode fazer um casamento quando os dois querem. O PMDB quer e tem manifestado isso. Nossa proposta é apresentar um nome do PMDB que possa ser escolhido entre a base aliada e, daí, sermos o candidato ou apoiarmos o candidato escolhido. Agora, se não há progresso nas conversas com a base aliada, por outro lado, temos uma relação excepcionalmente boa com o governador Aécio Neves, que tem dado inúmeras indicações de que o PMDB é muito bem vindo na base dele.

Há uma tentativa de parte do PT em fechar um acordo com uma ala do PMDB para impedir o lançamento de sua candidatura?
Isso é uma vontade, que não será realizada, de alguns adversários. Em Minas a gente faz política às claras, conversando. A gente não faz política tentando derrotar o adversário por antecipação ou armando ciladas para os adversários. Tem gente fazendo isso sim. Mas não será bem sucedido.

A candidatura do deputado Antônio Andrade à presidência do partido em Minas é uma forma de se aproximar do PSDB em razão das boas relações dele com Aécio Neves?
Não entendo assim. O Antônio Andrade foi escolhido como nosso candidato porque é um deputado federal com prestígio. Ele tem reconhecimento da liderança nacional do PMDB, tem apoio do governo federal, tem uma história de um homem sério, honesto. Agora, sobretudo, é porque ele é uma pessoa confiável.

A derrota de Antônio Andrade para Adalclever Lopes no PMDB-MG atrapalharia sua candidatura?
A derrota está fora de cogitação. Não temos a menor possibilidade de perder a eleição para a presidência do PMDB. A candidatura do PMDB ao governo de Minas depende da vitória de Antônio Andrade. Se ele não for o presidente, a candidatura do PMDB estaria sendo torpedeada.
Quando cogita a aliança com o PT, o senhor cita apenas o ministro Patrus Ananias. O senhor tem algum problema com o ex-prefeito Fernando Pimentel?
Problema nenhum. É que gosto de promover os amigos. As pessoas que eu tenho um relacionamento amistoso, com quem eu gosto de trocar ideias, e o Patrus é uma dessas pessoas.
Duas candidaturas da base do governo Lula ao Palácio da Liberdade poderiam ficar enfraquecidas na disputa e, ainda, ser ruim para a eleição da ministra Dilma Rousseff à Presidência?
Sem dúvida. Ela (Dilma) perderá a eleição em Minas, porque inevitavelmente haverá rompimento. Não adianta dizer que tem dois palanques, isso não existe em lugar nenhum. A gente não tem como servir a dois objetivos em campanhas. Para mim, se PT e PMDB não estiverem juntos, também vai ser muito difícil (vencer o governo estadual). A estrutura do Estado é muito forte.

Com dois candidatos da base, um do PT e outro do PMDB, o candidato do governador Aécio Neves em Minas (o vice Antonio Anastasia) ficaria fortalecido?
Com certeza. É um candidato com todas as qualidades. É uma pessoa de bem, um homem inteligente. Foi importantíssimo no sucesso do governo Aécio. Ele tem pouca imagem eleitoral, mas quando entrar no processo eleitoral, a tendência é subir. A imagem do Aécio é muito forte. Temos de ser realistas.
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