terça-feira, 3 de novembro de 2009

Assim funciona Sete Lagoas

Repare uma coisa, leitor amigo, a oferta de saúde, educação, saneamento, moradia e um tanto de coisa mais, em Sete Lagoas, é inferior em quantidade e qualidade a outros municípios do estado - maiores ou menores. Isso não é uma opinião é uma constatação. Apesar disso rejeitamos investimento em moradia, saúde e saneamento...

O Hospital de 240 leitos que iria ser construído este ano de 2009, foi cancelado para agora... E, sei lá, quando será construído. Também foi reduzido a pronto socorro, eliminou-se 140 leitos. Nessa conta de menos, some-se o cancelamento temporário do hospital ao corte em mais da metade em seu tamanho, quando ele ficar pronto, se ficar, não atenderá a demanda reprimida de hoje, e mais nova que vai surgir. Essa é a política de Sete Lagoas.
Qual política? A política da reserva de mercado. Cecé me contou, há algum tempo, que quando fez o Hospital Municipal ele sofreu uma enorme pressão dos médicos que diziam-se prejudicados com a construção do hospital. O doutores da época não queriam de jeito nenhum que ele fizesse o hospital, alegavam que iriam perder serviço com mais OFERTA. E olha que o hospital mal adaptado em uma escola logo ficou insuficiente para atender a demanda. Quer dizer, se resolveu pela metade o problema, assegurando uma oferta precária e deficitária de saída. Eu pergunto não estaria o mesmo tipo de força agindo agora, no hospital em particular, e na cidade em geral?
Vejam essa ideia: "(...) as pessoas vão chegando e você vai oferecendo moradias dentro de uma demanda real (...)". Essas palavras ditas pelo ex-secretário de Ronaldo Canabrava e atual secretário de Obras, Paulo Rogério pode relevar o pensamento síntese da elite dominante local. O secretário que é arquiteto e responsável por grandes projetos da construção civil na cidade argumentava sua posição contrária ao investimento da Rodobens, que propunha criar o novo e moderno conjunto residencial em Sete Lagoas.
Se esse investimento fosse feito criaria uma oferta, segundo ele mesmo, maior que a demanda existente. O que se verifica atrás dessa visão é que, em Sete Lagoas, as coisas andam ao contrário de outros lugares que criam uma oferta maior que a demanda existe. Em Sete Lagoas temos menos escolas que a "demanda real", menos água que a "demanda real", menos saúde que a "demanda real". Ou seja, existe uma cultura de proteção para os grupos locais que são, ressalvados, da competição e tem resguardados farta demanda reprimida. Eu pergunto se não houvesse essa demanda reprimida tão grande o Hospital Nossa Senhora das Graças, cancelaria cirurgias marcadas, como fez?
Volto ao Hospital Regional que foi cancelado para esse ano e diminuído, assim da mesma forma que aconteceu nos anos 80 quando a cidade mal fez um hospital que servia a demanda da época e nem atendeu a do futuro. A atual administração atual não está fazendo o mesmo, hoje, ao construir algo muito tímido que não dará conta da demanda de agora e muito menos da futura? E sob o olhar complacente de uma Câmara que comunga dos mesmo valor de reserva de mercado? O certo é que em Sete Lagoas resguarda o interesse de grupos em prejuízo da massa de cidadãos-consumidores. Assim, funcionará Sete Lagoas até que a população reaja.
Ah, deixo abaixo mais uma parte do fino pensamento do secretário Paulo Rogério, que está mais completo neste post SETE LAGOAS ESTÁ TRAVADA E NÃO É MUITO DIFÍCIL DESCOBRIR POR QUE, COMEÇE LENDO ESSE POST. QUANTOS MILHÕES MAIS VAMOS PERDER??? Leiam:
(...)
Eu vejo isso assim, eu não estou negando o investimento [Rodobens], é preciso ter moradias na cidade, agora o número de moradias você que está ouvindo, que trabalha em pesquisa quando você coloca pra vender 3.000 unidades a cidade não tem pessoas com recursos no bolso pra isso, tem que buscar de fora e quando você começa a trazer pessoa de fora e quando você chega não tem emprego, começa haver o desemprego na cidade. As coisas tem que ser gradativas. É uma visão que eu tenho de cidade com um todo. (...) as pessoas vão chegando e você vai oferecendo moradias dentro de uma demanda real (...)
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