segunda-feira, 23 de novembro de 2009

EDER BOLSON USA LINGUAGEM QUE MARGINALIZA O TRABALHADOR

O novo Secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico, senhor Eder Bolson, ao responder ao Gerais Jornal sobre quais são "os principais desafios de Sete Lagoas" comete uma impropriedade. Diz "ainda somos uma cidade de MUITOS PEÕES, de muitos subempregados". Sim, entendo que ele está falando das pessoas com baixa remuneração, suponho, principalmente dos operários de siderúrgicas. Mas faço algumas considerações sobre sua fala. Vamos lá.

Sua mensagem da uma clara margem para ser interpretada como uma discriminação ao "peão", ainda que não seja sua intenção marginalizá-los, espero. Parece que esse pessoal do Governo Maroca não entende é o simbolismo das suas falas, pelas suas posições de governo. Ou querem é isso mesmo? É óbvio que temos que reduzir ao máximo o subemprego. Mas isso começa com uma nova relação empregado-empregador, com uma mudança de postura e de visão desse operário pelo "patrão". Assim, o uso do termo pejorativo dito pelo senhor Eder Bolson, Secretário de Desenvolvimento, para designar o trabalhador-subempregado não contribui em nada para a mudança dessa postura pelo empregador em Sete Lagoas.

E mais: se quisermos elevarmos o trabalhador temos que atacar a baixa remuneração praticada em Sete Lagoas e as péssimas condições de trabalho em determinadas empresas. Ou até radicalizar eliminarmos as atividades primárias como o ferro gusa, o que é um grave erro. E o poder público não pode focalizar apenas o jovem para conseguir o "desenvolvimento econômico sustentável", como evangeliza o secretário.

"Sete Lagoas só conseguirá um desenvolvimento econômico completo e sustentável se investir pesado na educação, na melhoria dos conhecimentos e das habilidades dos jovens setelagoanos." Entretanto, é fundamental investir também no adulto experiente, na sua educação e (re) qualificação, os "peões". É preciso prepará-los para a mudança de área, como segmento de serviços que projeta grande crescimento. E ter uma ação agressiva na atração de negócios de ponta, tanto como fortalecimento do empreendedorismo local para promover novos empreendimentos, e impulsionar os antigos.

Ademais, ajudaria bem se o secretário escolhesse palavras menos pejorativas para referir-se aos operários, do contrário pode sem querer, espero novamente, contribuir para marginalização das pessoas. Infelizmente o poder público está oferecendo um mal exemplo, enquanto deveria ser ele o inspirador de uma nova atitude. Compreendo. São tempos difíceis, afinal, o mal exemplo vem do topo.
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