domingo, 14 de julho de 2013

Ações de construtoras perdem até metade do seu valor em 2013

Fraco crescimento, juros altos e investidores avessos a risco influenciaram o resultado
DA REUTERS
Empresas brasileiras de construção civil perderam até metade de seu valor de mercado no primeiro semestre do ano, em meio ao fraco crescimento econômico do país, à alta dos juros e a investidores mais avessos a risco.
Brookfield e MRV puxaram a fila, com quedas de 56% e 44%, respectivamente. A seguir veio a Gafisa, com queda de 39%, seguida por PDG Realty e Rossi, com quedas de 36%. No mesmo período, o Ibovespa caiu 22,5%.
Para analistas, o desempenho das ações reflete um misto de fatores conjunturais e específicos de cada empresa. A incorporadora Brookfield, por exemplo, revisou os orçamentos da sua carteira de projetos e ainda sofreu os efeitos de adequação a novas regras contábeis, avaliou a consultoria Lopes Filho.
A Gafisa vendeu o controle da Alphaville para a Blackstone e para o Pátria Investimentos, por R$ 2,01 bilhões em junho, em uma tentativa de animar o investidor com a redução do seu endividamento, mas não conseguiu. E ainda deixou alguns com a impressão de que pode não ter feito a escolha certa.
"Apesar de a operação ser vantajosa para a Gafisa pelo valor acordado, no longo prazo a venda deve resultar em menores margens, visto que a Alphaville era responsável pelos empreendimentos mais rentáveis da companhia", afirmou a Lopes Filho, em relatório. Somente no mês de junho, o valor da ação da Gafisa caiu 25,5% na Bovespa.
O cenário macroeconômico, que tem castigado todos os setores da Bolsa, tende a pressionar com mais força empresas ligadas à economia doméstica, como construtoras e varejistas.
A pesquisa Focus, realizada pelo Banco Central e publicada ontem, mostrou expectativas de crescimento menor do PIB neste e no próximo ano, de elevação da taxa básica de juros e de inflação mais alta.
CYRELA
Na visão do Morgan Stanley, apenas a Cyrela estaria posicionada para ganhar no atual cenário. A ação da companhia caiu 11,8% no primeiro semestre, a perda mais suave no setor.
O banco reiterou a recomendação de compra para a ação da empresa em relatório divulgado ontem, elegendo a Cyrela como única construtora com liquidez em Bolsa a entregar retornos acima dos custos de capital.
"A Cyrela foi arrastada junto com seus pares em junho, mas achamos que ela deveria ser dissociada dessas empresas por ter melhor balanço e melhores retornos", disseram os analistas do Morgan Stanley.
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