sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

TUDO ACONTECEU NO GABINETE DO PREFEITO

Amigos, em primeiro lugar obrigado pela solidariedade e apoio. A seguir segue o relato do que aconteceu na quarta-feira, dia 3 de fevereiro de 2010, com duas curtas gravações, mas que ajudam a dar a medida da coisa e do estado policial e da tirania que está em curso em Sete Lagoas:
No dia 14 de janeiro, Silvana Emerick foi agredida verbalmente pelo secretário de Saúde, José Orleans, por ter publicado uma matéria que desagradou-lhe. Eu assisti a tudo e calei-me. Relativizei a coisa dizendo para mim mesmo "não, não foi tão grave assim". Sobre esse comportamento, Martin Niemöller (1892-1984) escreveu o texto famoso: “Um dia, vieram e levaram meu vizinho, que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho, que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia, vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e me levaram. Já não havia mais ninguém para reclamar.”

Eu fui omisso e a falsa justificativa que encontrei para minha irreconhecível e vergonhosa atitude era, e pode ser surpresa para muitos, a empatia pessoal que tenho com o secretário Orleans. Traí a um princípio colocando o valor da relação a frente do valor fundamental: o respeito ao outro que deve ser uma vigilância de todos para preservação da civilidade, da harmonia e, neste caso, a própria liberdade em Sete Lagoas. Mas quis o destino, que parece ser o de todos que trabalham com informação em Sete Lagoas, que 20 dias depois fosse eu a vítima da brutalidade do Governo Maroca. E é este fato que começo a relatar.

Compareci nesta quarta-feira à solenidade de posse dos novos secretários municipais Cidinha Canabrava e Fernando Campos, respectivamente os novos titulares das pastas de Assistência Social e Educação. Foi de Enxerido? Não, fui a convite. De quem? Da amiga Cidinha. Aliás, eu só entrei porque estava indo nessa condição, como "imprensa ele não entra" disse a Cidinha à funcionária que estava na entrada. Ou seja, Cidinha Canabrava deixou comunicado a esta moça minha condição de seu convidado. Adiante.

Tudo muito bem, passa o tempo já dentro do Gabinete do Prefeito, encontro vários conhecidos, converso com um com outro até que: Magela Martins, jornalista, funcionário do governo Maroca, me chama num cantinho para conversarmos. Informa-me ele que não vai mesmo ser secretário de Esportes, que vai ficar mais próximo do prefeito, no gabinete. E entrou no assunto do seu jornal, justificava que o seu jornal não é política, mas trata de segurança pública etc e tal. Era uma resposta a crítica de que o jornal Notícia da qual ele é o Editor atua alinhado com os interesses políticos do Governo Maroca, como não eu imagino, mas como é que acontece. Demonstrei fartura de evidências. Mas voltando a conversa foi encerrada ali sem qualquer tensão.

Volto-me novamente para os conhecidos presentes e passa mais um pouco tempo estou conversando com o Comandante Junior e o jornalista Maran, quando novamente Magela volta a chamar. Dessa vez ele estava com o seu colega de Governo, o jornalista Ivan Figueredo. Ivan tá me contando aqui que você escreveu outra coisa sobre mim... "Olha Léo Barros" , eu não quero mais que você coloque o meu nome no seu blog não. E o seu tom de voz vai aumentando, ele começa a dizer de forma agressiva "se você escrever meu nome mais vez no seu blog você vai se ver comigo". "Escreve e você vai ficar me conhecendo". Léo Barros, você não sabe com quem está mexendo. E notando que as ameaças ficavam cada vez mais intimidatórias, retirei o celular do bolso e comecei a gravar. Neste instante o seu colega Ivan avisa-lhe: "Magela vai sair no blog". Ouçam.



Na sequência Magela parte para agressão, ele tenta me agarrar. Quer me por para fora à força. Está gravado no áudio a seguir:



As pessoas em volta percebem o que está acontecendo. O Comandante Junior está próximo de nós. Paulo Castilho, Repórter da ETV, que neste momento já estava ao lado de Magela interveio ajudado por Ivan, eles seguram Magela. Ouvindo dá para ter idéia do ocorrido:

O que me chamou muita atenção neste episódio foi a participação ativa do jornalista Ivan Figueredo. Reparem que ele foi o despertador de tudo, quando informa Magela sobre esse texto que eu havia escrito e que motivou Magela a tirar satisfação comigo. E ele também é a pessoa que alerta o Magela para o fato de "sair no blog" (a minha gravação). A única preocupação era que não fosse para o blog, com relação as ameaças e a intimidação nada fez para repreender ou pelo menos alertar ao Magela do direito a liberdade de expressão, ou, sei lá, um "respeite o cara Magela, pelo menos dentro do gabinete do prefeito". Ou seja, detonou o episódio e ficou assistindo de camarote. Mas o senhor Ivan foi só mais um do Governo Maroca que assistiu impassivo as agressões do jornalista Magela Martins a mim, como se verá na sequência de acontecimentos. Vamos lá.

Depois desse acontecimento fiquei eu e o Paulo Castilho conversando, quando aproxima o amigo Santiago da TV Sete Lagoas, Paulo conta-lhe o que aconteceu, Santiago comenta que "isso é Sete Lagoas".

A solenidade começa, mais ou menos no meio do evento, sou surpreendido com Magela ao meu lado. Ô Léo Barros eu sei que você gravou, coloca no blog para você vê o que vai acontecer com você. Estava ao meu lado Ricardo do PT, assessor parlamentar no Gabinete do vereador, Claudinei Dias. Ricardo viu tudo, comentamos um com o outro e disse ao Ricardo, vou ter que pedir proteção policial para sair daqui, pensei:este cara está armado. "Não precisa não, eu saio com você", me ofereceu o seu apoio. Ricardo é assim uma pessoa legal. Logo que acabou ele foi cumprimentar algumas pessoas e se aproximou de mim outro jornalista, Roberto Andrade.

Roberto que é meu velho conhecido, dono do jornal Tribuna veio falar comigo. O que ele queria? Que eu não fizesse uma sacanagem. "Léo, você estava gravando mesmo aquela 'conversa' com Magela", indagou e completou "colocar no blog é sacanagem". De certa forma posso compreender o temor solidário de Roberto para com o seu colega Magela, olhando o meu próprio comportamento com relação ao secretário José Orleans. Mas aí está o erro: não podemos tolerar a intolerância, ser benevolente com esse tipo de delinquência é o caminho para a tirania, o autoritarismo e a censura. Onde o expectador de hoje é a vítima de amanhã. Mas em muitos casos não é só a solidariedade, é muito pior: é a covardia e mais grave ainda: é a incorporação da ética autoritária como norma. Esse é o comportamento que está tomando conta de Sete Lagoas, pelo povo que ora está no poder. Eles estão abusando da truculência. E ainda mais grave, estão renunciado a opinião pública, assim, estão se lixando para a gigante impopularidade que se nota nas ruas, governam para si, ignorando a legitimidade que se reconquista a cada dia de trabalho. E com isso cada membro desse Governo se sente um rei, a arrogância toma conta.

Volto ao ponto, ou é continuidade do processo de intimidação, terceiro momento. Então, chega novamente o funcionário do governo Maroca, o Sr. Magela Martins, repetiu a ameaça. Dessa vez reagi em voz alta, gritei. "Magela está me ameaçando!!!", explodi. Não suportava mais aquilo, sendo feito dentro do gabinete do prefeito, sendo que ninguém do Governo impedisse aquilo e me garantisse como cidadão alí no Gabinete do Prefeito, o respeito mínimo. Ao contrário, a gente do Governo refestelavam-se com o VIA, mas como disse Ana Luiza "eu não vi nada". Muito parecido com a inversão que ela fez quando Silvana Emerick foi agravada ela pediu ética para... a Silvana, não para o secretário que agiu com total desrespeito. Só mesmo o mais puro cinismo dos indiferentes ao sofrimento alheio para "não" ver o que acontecia ou inverter o certo pelo errado.

Mas depois desse grito a única pessoa que me ofereceu o apoio foi o Comandante Júnior, que acompanhando tudo, fez questão de assegurar a minha integridade física. E não fosse isso acho que a coisa terminaria muito mais trágica. Magela, quando saí da prefeitura já estava na porta, veio em minha direção, mas quando percebeu que eu estava sendo escoltado pelo policial inibiu-se desconcertando-se todo. E dali da porta da prefeitura o Comandante passou um comunicado informando a ocorrência e ele mesmo me encaminhou em seu carro até o PPC, para que eu registrasse na polícia os fatos.

Como veem este é um relato pessoal, de uma questão, entretanto, particular? NÃO, absolutamente. Tudo isso que ocorreu se deveu ao fato de uma escolha minha de envolver-me com as coisas do interesse público, chamar a atenção da sociedade para os princípios e valores do estado de direito, como a situação em que se entrelaçam poder público e a imprensa numa relação promiscua e predatória da própria coletividade.
Bem, encerro dizendo que vou seguir firme ao lado de vocês fazendo este trabalho em favor da sociedade sem titubear como sempre fiz até aqui.
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