quarta-feira, 31 de março de 2010

Em despedida, Serra diz que governo deve ter honra e não pode ser conivente


'Repudiamos protagonismo sem substância que alimenta mitologias', disse.

Do G1, em São Paulo:
Sou considerado um grande obsessivo, mas minha grande obsessão foi servir aos interesses gerais do meu estado e do meu país (...) Estou convencido que o governo, como as pessoas, tem que ter honra. Assim falo não apenas porque aqui não se cultivam escândalos, malfeitos, roubalheira. Mas porque nunca incentivamos o silêncio da cumplicidade e da conivência com o malfeito"
O evento começou às 16h, com uma hora de atraso em relação à programação oficial. Ele evitou fazer um balanço com números do governo, que afirmou ainda continuará com a gestão do vice Alberto Goldman. Serra disse que em sua fala iria avaliar "valores, critérios e princípios" que nortearam seu trabalho.

Também nesta quarta-feira, a ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff participou de uma cerimônia de entrega do cargo, ao lado de outros 9 ministros que concorrem nas eleições. Dilma é a pré-candidata do PT para a presidência.

Em São Paulo, no Palácio dos Bandeirantes, a cerimônia com o pré-candidato tucano lotou um auditório e exigiu que o cerimonial acomodasse parte do público na área externa. Após cerca de uma hora de pronunciamento no auditório, Serra também se dirigiu à plateia da sacada do palácio. A despedida contou com um mestre de cerimônia e Serra se mostrou bastante à vontade e bem-humorado.

Avaliação

O pronunciamento no auditório durou cerca de uma hora e foi diversas vezes interrompido por aplausos. Nele, o tucano fez também uma avaliação ética da sua gestão. "Este é um governo de caráter, não cedeu à demagogia, à soluções fáceis e erradas para problemas difíceis, nem se deixou pautar por particularismos e mesquinharias", disse.

"Sou considerado um grande obsessivo, mas minha grande obsessão foi servir aos interesses gerais do meu estado e do meu país", disse. "Estou convencido que o governo, como as pessoas, tem que ter honra. Assim falo não apenas porque aqui não se cultivam escândalos, malfeitos, roubalheira. Mas porque nunca incentivamos o silêncio da cumplicidade e da conivência com o malfeito", disse, sendo aplaudido pela plateia.

"Nós repudiamos sempre a espetacularização, a busca da notícia fácil, o protagonismo sem substância que alimenta mitologias", afirmou, dizendo que seu governo sabe que não há contradição entre melhorar a condição dos que mais sofrem e planejar o futuro.

Ele lembrou que, ao longo de sua carreira política, foi aconselhado a ser mais "atirado", a "buscar mais holofotes", a ser notícia. Afirmando que prefere manter suas convicções, disse que seu estilo não se presta a isso. "Procuro ser sério, mas não sisudo. Realista, mas não pessimista. Calmo, mas não omisso. Otimista, mas não leviano. Monitor, mas não centralizador", disse.

Governo popular

O governador ainda destacou o fato de que considera seu governo popular e listou os programas sociais Viva Leite, Renda Cidadã, Vila dos Idosos, Condição Jovem, Escolas Técnicas, programa de qualificação do trabalhador, Emprega São Paulo e o piso salarial. "Os governos, como as pessoas, têm que ter sensibilidade para agir e compensar as desigualdades", disse.

Ele também ressaltou a geração de 1 milhão de empregos com investimentos diretos e indiretos. Ele citou ainda como um ponto alto do seu governo a inauguração do Rodoanel, evento que foi inicialmente anunciado como uma vistoria das obras que ainda não foram abertas para a circulação dos carros. Foi muito aplaudido ao lembrar da conversa que teve com um operário e declamou uma poesia que ele associou ao momento.

Lema do estado

Durante o discurso, Serra evitou citar sua candidatura, mas disse estar preparado para uma nova etapa, quando foi ovacionado. O pré-candidato tucano à Presidência tomou emprestado o lema do estado para definir sua nova etapa política.

O brasão de São Paulo exibe a frase "pro brasilia fiant eximia", que em latim significa "pelo Brasil façam-se grandes coisas". Para Serra, esse é o destino de São Paulo e também "nossa missão". Emocionado, ele se despediu em tom de palanque: "vamos juntos, o Brasil pode mais", disse.
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