segunda-feira, 31 de agosto de 2009

SL PERDEU O PROJETO DO RIO DAS VELHAS (BNDES) E O GOVERNO MAROCA INVENTOU O FACTOIDE DO FIM FALTA D’ÁGUA PARA OCULTAR O PREJUIZO E ILUDIR A POPULAÇÃO


“FIM DA FALTA D'AGUA COM A INTERLIGAÇÃO DOS POÇOS ARTESIANOS!” Este foi o release que o Governo Maroca encartou na imprensa que republicou o acriticamente a matéria da Secom/Prefeitura tomando a voz oficial com verdade. Entretanto, ao fazer uma simples consulta no arquivo jornalístico ou na internet se identifica que se trata de um factoide requentado. Veja a seguir a matéria deste final de semana e compare a outra que de junho.

Neste final de semana.
"A obra, já licitada, será executada pela empresa Prefisan Global; ela deverá ser iniciada em 15 dias. Esta obra vai integrar todo o sistema de água da cidade, resolvendo de vez o problema da falta de água. Isto significa que a região de maior produção estár atendendo a que produz menos", explica o engenheiro Geraldo Guaraci.

Em junho, eles já tinham anunciada a interligação e até a data para o projeto começar como mostra um trecho da matéria a seguir do jornalista Celso Martinelli:
SEGUNDO RONALDO ANDRADE, SERÁ INICIADA NO PRÓXIMO MÊS A CONSTRUÇÃO DE UM GRANDE ANEL DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA QUE PASSARÁ POR TODA A CIDADE. COM RECURSOS NA ORDEM DE R$ 33 MILHÕES DO PROGRAMA DE ACELERAÇÃO DO CRESCIMENTO (PAC), A OBRA VAI VIABILIZAR A INTEGRAÇÃO DE POÇOS ARTESIANOS E EQUILIBRAR O FORNECIMENTO DE ÁGUA, DEFICITÁRIO em algumas regiões do município. ‘A obra é viável e necessária, tem vida útil maior que os poços artesianos. A captação vai proporcionar grande alívio aos poços, que hoje funcionam 24 horas e, com a adução do Rio das Velhas, serão exigidos apenas 16 horas diárias. O abastecimento será garantido, com qualidade, para uma população de até 400 mil habitantes, afirmou.

Ou seja, estamos diante de uma fraude jornalistica. A prefeitura está requentando uma informação com ares de grande novidade e feito. Mas é preciso estar atento para se perceber algo ainda pior. Vocês reparam que a notícia requentada, não fala mais do projeto de captação do Rio das Velhas [vide matérias completas nos jornais]. Esse é o detalhe revelador desse factoide.

Pois é, a única notícia nova, relevante e bombástica que tem neste factoide, é esta: SETE LAGOAS NÃO TEM MAIS A DISPOSIÇÃO O FINANCIAMENTO DO BNDES PARA A CAPTAÇÃO DE ÁGUA NO RIO DAS VELHAS. Informação do engenheiro Geraldo Guaraci também revela isso. Sete Lagoas está inclusive tentando reaver a linha de credito e Guaraci me comunicou inclusive que o Ministério da Cidade está analisando novamente a viabilidade do projeto "qual o ganho que a cidade pode ter..." - o Ministério da Cidade, ele me disse, pode vir a Sete Lagoas. Em síntese: o recurso que o governo passado deixou garantido para o projeto do Rio das Velhas junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), agora NÃO ESTÁ MAIS GARANTIDO. O processo está sendo reavaliado e retornou a etapa inicial de análise pelo Ministério da Cidade e só depois se aprovado nessa etapa é que vai novamente para o BNDES também reavaliar pondento aprovar de novo ou negar [etapas que já tinham sido vencidas].

Mas o que houve para isso, pode perguntar naturalmente quem não acompanha cotidianamente das políticas públicas da cidade. Eu poderia dizer que a responsabilidade pela indisponibilidade do financiamento é do Secretário Paulo Rogêrio. Foi ele quem travou o recurso como podem constatar nesta matéria do Jornal Sete Dias, mas é uma responsabilidade mesmo de governo. Explico em seguida à matéria:

Captação de água do rio das velhas será revista (data 16-01-09)
Em entrevista esta semana para o SETE DIAS, o Secretário Municipal de Obras e Infra- Estrutura Urbana, Paulo Rogério Campolina Paiva, afirmou que o projeto que prevê a captação de água do Rio das Velhas para abastecer Sete Lagoas não está garantido.
Visto como uma ‘sobra revolucionária pelo prefeito anterior, Leone Maciel, ainda não passou pelo crivo da nova administração. Na ocasião, foram tratados até mesmo valores para financiar a obra: R$ 77 milhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Para o secretário, serão estudadas outras opções mais viáveis.
(...)
O secretário afirma que o financiamento não é gratuito e o valor é muito alto. Vai sobrar para o contribuinte pagar. É preciso descobrir uma solução mais próxima de nossa realidade, mais barata e melhor para o município”, CONSIDERA, PRATICAMENTE DESCARTADO O PROJETO. Para ele, há onde buscar recursos sem precisar endividar o município. O antigo projeto prevê a construção de uma adutora de 28 km de extensão entre Sete Lagoas e Funilândia, município onde seria instalada uma Estação de Tratamento de Água (ETA). A obra seria executada através de um consórcio de empresas. Concluída, estava prevista a desativação de 90% dos poços artesianos que atualmente abastecem a cidade.

Como podem ver é fácil compreender porque Sete Lagoas não tem mais o financiamento a disposição. O Secretário rejeitou o recurso. Paulo Rogério sempre defendeu que a cidade tem em seu subterrâneo a quantidade água suficiente para a demanda. A propósito esse era o discurso de campanha do prefeito. Quer dizer, ambos desconheciam ou tentavam ignorar a realidade da escassez de água que acontece o ano inteiro e se agrava dramaticamente nos períodos de estiagem. Mais: ignoram o histórico progressivo de queda na produção dos postos artesianos que a cada ano diminuem a vazão ofertando menos água para uma crescente de demanda com o rápido crescimento da cidade.

Está claro por outro lado que o governo não tinha e não tem um consenso sobre qual é a saída para evitar o eminente colapso no abastecimento que já está acontecendo e pode se chegar grau insustentável para Sete Lagoas. Nesse sentido “o fim da falta de água” por decreto é um factoide para iludir a população que está revoltada com a situação da água: escassez do bem e, sobretudo, a falta de qualidade da água. Esse factoide tenta ocultar a realidade e o imobilismo fruto idéias simplistas e equivocada da gestão familiar, somada um suposto heroísmo salvacionista no SAAE, como se fosse possível uma mágica para cobrir o saldo deficitário grandioso na infraestrutura de saneamento da cidade.

A integração não resolve o problema da escassez
O presidente do SAAE em junho dizia que a captação de água no Rio das Velhas iria equilibrar o sistema "A captação vai proporcionar grande alívio aos poços, que hoje funcionam 24 horas e, com a adução do Rio das Velhas, serão exigidos apenas 16 horas diárias".
Agora num desrespeito a inteligência das pessoas dizem que a interligação de poços será suficiente para acabar de uma vez por todas com a falta de água. Ora, só podem estar imaginando que a população é trouxa ao contradizerem a si mesmos, e imaginar que as pessoas vão confiar numa afirmação que contradiz a posição anterior do próprio SAAE.

Bem, a interligação dos poços pode levar é a fadiga dos poços de maior produção. Não podendo reduzir a carga de trabalho terão que trabalhar 24 horas para suprir deficiência dos poços improdutivos e ainda dar conta do aumento da demanda levando-os ao estressamento e ao risco de colapso não mais localizado, mas total do sistema.

Conclusões. Resta evidente que estão tentando criar um factoide para fazer frente ao fato do grave crise de abastecimento por toda a cidade e a perda do projeto do Rio das Velhas [o que já não era grande coisas, falo mais depois]. Eles ficaram oito meses hesitando tomar decisões e batendo cabeça internamente. Perderam o financiamento e agora desesperadamente diante da gravidade do problema tentam vender ilusão e ludibriar a opinião pública. Infelizmente estamos diante de uma incompetência trágica para a população. E esse arremendo de gestão formado por uma colcha de retalhos não consegue tomar decisão e chegar a uma posição de governo para agir.
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