segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Dilma Rousseff tentou livrar Sarney

Senado. Ex-secretária da Receita Federal afirma que ministra pediu o fim de investigação sobre peemedebista
Do Tempo:
São Paulo. A ex-secretária da Receita Federal Lina Maria Vieira - afastada do cargo após o recente imbróglio envolvendo o Fisco e a Petrobras - afirma que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pediu que fossem concluídas rapidamente as investigações sobre as empresas da família Sarney que vinham sendo conduzidas pelo órgão.

"Falamos sobre amenidades e, então, ela me perguntou se eu podia agilizar a fiscalização do filho do Sarney", disse Lina, segundo reportagem do jornal "Folha de S.Paulo". O encontro entre Lina Vieira e Dilma teria ocorrido no final do ano passado.

A ex-secretária afirma que entendeu o pedido como uma mensagem para "encerrar" a investigação e "livrar" Sarney. Lina teria se recusado a atender o pedido da ministra. "Fui embora e não dei retorno. Acho que eles (governo) não queriam problema com o Sarney", disse.A assessoria da ministra Dilma Rousseff disse que o encontro entre as duas nunca ocorreu. A assessoria afirmou, ainda, que a ministra "jamais pediu qualquer coisa desse tipo à secretária da Receita Federal" e "não se encontrou com ela". "Não houve a alegada reunião", garante a assessoria da ministra.

Petrobras. Lina Maria Vieira também afirmou que foi a própria Petrobras que deu informações sobre a mudança no sistema de tributação praticado pela empresa. A divulgação, segundo ela, foi feita pelo presidente da estatal, Sérgio Gabrielli.

"Em momento algum, da minha boca, saiu isso. Estávamos na comissão de acompanhamento da crise no Senado e me limitei a mostrar a arrecadação e porque ela tinha caído, pela utilização da compensação. Agora, quem abriu o verbo foi o presidente da Petrobras, quem veio e falou da mudança do regime foi ele", afirmou.

A saída de Lina Vieira da Receita aconteceu após a decisão do Fisco de investigar, neste ano, a Petrobras. A empresa mudou o regime tributário em 2008, retroagindo ao início do ano passado, o que gerou um crédito fiscal - que pode ser abatido no pagamento de tributos - superior a R$ 1 bilhão, referente à contabilização de "variações cambiais".

Essa manobra resultou no afastamento de Lina Vieira da Receita e deu início às denúncias que deram origem à CPI da Petrobras, instalada no Senado. Lina disse que chegou a ser repreendida pelo líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), que a acusou de ter "cometido um crime" e municiado a oposição com dados sobre a compensação de tributos. Mercadante não comentou a denúncia.
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