quinta-feira, 13 de agosto de 2009

“O SAAE PODE COMPRAR ÁGUA DA COPASA”, DIZ FLÁVIO DE CASTRO

Em conversa comigo o secretário de planejamento, Flávio de Castro, aventou a possibilidade do SAAE vir trabalhar com água da Companhia de Saneamento de Minas Gerais, a estatal Copasa. Flávio me disse que discorda do projeto de captação de água do Rio das Velhas. Expôs certa preocupação em confiar nas organizações externas envolvidas com o projeto. Nesse sentido não é o caso de me estender agora sobre a questão, mas fui a primeira a pessoa a questionar a idoneidade dessas companhias que operam o PAC Saneamento, fiz inclusive um questionamento na Tribuna da Câmara a respeito, falei da investigação da Polícia Federal em cima dos empréstimos do PAC.

Bem, Flávio contou-me que conversou longamente essa semana com o presidente do SAAE, Ronaldo Andrade. Mas o que penso dessa solução? Acho a priori que pode ser um caminho plausível. Entre outras coisas teríamos pelo menos uma água de confiança e ainda não oneraríamos o município com uma dívida absurda de mais de 70 milhões de reais, para executar um projeto que atenderia cerca de 50% demanda de água de Sete Lagoas, como é hoje o projeto PAC Rio das Velhas-SL. Mais: qual é a experiência do SAAE para uma grande ETA - Estação de Tratamento de Água? Nenhuma. Ainda mais porque essa estação teria que ser construída fora, na cidade de Funilândia, portanto, longe do município. E a água captada no Rio das Velhas no ponto onde está projetada para ser retirada é extremamente poluída o que leva a exigência de um tratamento ainda mais complexo, mais oneroso, trazendo outras complicações e variáveis de última hora.

Sem chegar a nenhuma conclusão aqui acho que é uma idéia interessante que deve avaliada. Flávio extra-oficialmente falou algo como uma parceria com a Estatal, se entendi, poderia haver uma espécie de transferência de tecnologia e etc e tal. Talvez algo como uma Joint venture: um empreendimento conjunto é uma associação de empresas, para explorar o saneamento do município, sem que nenhuma delas perca sua personalidade jurídica.

Em princípio parece ser a idéia incipiente valida por diminuir os riscos com o projeto que levaria ao estrangulamento das finanças municipais, o endividamento fartamente criticado aqui no blog em épocas passadas. Um gasto que não leva a promoção de uma solução definitiva da demanda de água, o que certamente obrigaria a mais gasto posterior para satisfazer a demanda.

Outro ponto é a transferência de tecnologia da Copasa para o SAAE e a garantia da manutenção da Autarquia de Sete Lagoas. Quanto a transferência de tecnologia, sobretudo, se for feito num bom acordo com o governo do estado é algo auspicioso para a cidade que está a anos luz do que há de melhor em saneamento e a estatal mineira ao contrário é uma das top de linha (falo sem nenhum deslumbramento) nacional da área. Quanto a manutenção do SAAE atende a visão de quem não abre mão da autarquia e pode atender também a visão de quem, como eu, não abre mão de uma água de qualidade, ou seja, que não aceita que a população seja mais refém do pior tipo de água do Brasil, o tipo água calcária encontrada no subsolo de Sete Lagoas. Mas é óbvio que não estou sendo conclusivo neste texto e portanto há muito o que analisar sobre estes dois pontos e a idéia no geral.

Ademais, tem a questão do esgotamento sanitário que pode claro ser objeto dessa mesma possível parceria que ainda é pelo que entendi uma idéia incipiente. Mas como uma idéia em gestão deve ser respeita, analisada e melhorada. O que não pode é se tornar uma discussão: SAAE X Copasa, que foi do deslumbramento bobo com a estatal à demonização dela. E não me digam que eu fui cegamente um defensor da Copasa porque posso provar que não fui. Aliás, fui até muito cauteloso no começo do debate público sobre a vinda ou não da Copasa, onde num artigo publicando no jornal Sete Dias procurei desinterditar e ampliar o debate que ia se limitando a garantia de emprego dos servidores do SAAE e tarifa. Ignorava-se o escopo do projeto e a lei 11.445 que acabava de ser aprovada no Congresso.

Ah, sim depois que a discussão virou torcida tomei partido claro pela estatal mineira. Mas sempre considerei pobre a discussão, sabia que podíamos ir além até por causa da nova lei que nos dava plena garantias de gestão mesmo se a Copasa viesse. E convenhamos o saneamento de Sete Lagoas deve ser discutido à luz dos seus problemas e necessidades, sem bandeira A ou B, mas como uma questão séria, técnica e urgente, ou senão vamos ter que estabelecer a meta 2.100, para, quem sabe até lá, consigamos decidir alguma coisa, não é?

PS.: ontem deixei apenas uma pequena mensagem foi um gesto em solidariedade a tantas pessoas que sofrem desesperadamente com o problema de água em Sete Lagoas. E mais: Agradeço também a preocupação dos amigos que entraram contado e se preocupam com a gente. Obrigado! Mas, as vezes, a melhor forma de comunicar é não falar nada. O silêncio pode ser ensurdecedor. Bem, Mas estou firme com vocês e durante o dia mais posts.
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