segunda-feira, 17 de maio de 2010

DENÚNCIA REVELA UM PÉSSIMO TRABALHO DENTRO DO HOSPITAL MUNICIPAL DE SETE LAGOAS

Recebo da Sra. Ilda Alves Teixeira França, que é advogada um relato do que ela vivenciou de dificuldade com a internação de um irmão no Hospital Municipal. Uma denúncia na verdade que ela informa que levou ao promotor responsável em Sete Lagoas. Essa doutora também descreve outras situações deploráveis que assistiu acontecer com pacientes enquanto acompanhou o seu irmão no hospital. São relatos que retratam uma realidade estarrecedora do que acontece dentro do Hospital Municipal em Sete Lagoas, pelo que fica demonstrado uma absoluta falta de gerenciamento.

Um dos casos que ela conta é do Sr. José Inácio dos Reis, que fora internado no dia 19 de abril e ficou sem atendimento até o dia 24, "quando por intermédio de um enfermeira AMIGA da família, conseguiu um pedido de ultra-som abdominal". Porém...

Porém... veja o que ela relata que aconteceu com este senhor: "Colocara-o de regime na sexta-feira, no sábado, já era mais de meio-dia, quando este reclamou pelo ultra-som, a enfermeira, disse que sábado e domingo não faz ultram-som, rabiscou a papeleta do paciente e retirou-o do jejum."

Ela encerra com uma síntese precisa da atitude pessoal e gerencial lá. "(...) condutas são irresponsáveis e desumanas, e nenhum responsável aparece para disciplinar os irresponsáveis", diz. Acrescento a sua denúncia um pequeno filme feito no dia 8 agora de maio que mostra um corredor lotado do hospital. Quando ao péssimo gerenciamento da equipe do hospital o secretário de saúde de Sete Lagoas pode até cobrar da Dra. Ivana Melo um trabalho mais efetivo, mas pelo vi dessa senhora acho que a melhor decisão e a sua exoneração é a melhor forma de começar mudar esse desastre gerencial.

Fiquem a seguir com o relato da advogada:

*
À
IMPRENSA SETELAGOANA

Senhores Jornalistas:

O atendimento no Hospital Municipal vai de mal a pior.
Recentemente, enquanto acompanhava uma pessoa da família que se encontrava internada, presenciei fatos terríveis naquele nosocomio.
Como cidadã setelagoana, decidi então fazer uma representação junto ao Promotor de Justiça responsável pela área da saúde, cuja cópia estou anexando.

Atenciosamente,

Ilda Alves Teixeira França
Rua José Duarte de Paiva, 427 - Centro
35700-059 Sete Lagoas, MG

*

Exmo. Dr,

MARCELO AUGUSTO VIEIRA

DD. Promotor da Saúde de Sete Lagoas-MG.

Ilda Alves Teixeira França, brasileira, casada, advogada, devidamente escrita na OAB/MG, sob o nº 35.964, residente e domiciliada em Sete Lagoas, à rua Villa Lobos-315, Centro, vem com todo o respeito e acatamento a presença de V. Exa.,. expor e ao final requerer:

Em 21 de abril ás 10 horas, solicitei o serviço do SAMU a favor de meu irmão Bernardino Alves Gonçalves, com 79 anos de idade, portador de insuficiência renal crônica e arritmia cardíaca, sendo prontamente atendida pelo mesmo.

Chegando ao P. Socorro do Hospital Municipal, fomos prontamente atendidos pelo médico de BH que estava de plantão.Às 6 horas da manhã do dia 22, deixei uma vizinha acompanhando o mesmo e fui para o escritório.

Às 16;00 horas, após terminar meu expediente, dirigi-me ao Pronto Socorro do hospital pois, ciente das condições desumanas a que são submetidos pacientes que necessitam ali serem internados, fui ver se o médico plantonista tinha cuidado do enfermo.

Deparei-me com a Sra. LUDIMILA, na portaria, e delicadamente lhe pedi a ela que me deixasse ir até o doente, explicando-lhe, que não era visita, era só para falar com ele rápido. Ela indelicadamente me disse que não. Alegou que eu deveria ter ido no horário de visita. Mais uma vez, eu implorei a ela que me deixasse falar com o acompanhante dele, uma vez que o mesmo é idoso, a esposa é portadora de mal de PARKSON, não tem filhos, sendo eu a pessoa responsável pelo cuidado dos dois. Diante da sua rispidez e falta de educação, adentrei a porta que estava simi-aberta e fui até à enfermagem onde estava o idoso. Somente perguntei a ele se algum médico tinha visitado? Ele respondeu que não. Rapidamente saí, ocasião em que ela já tinha ara me retirar.

Às 19:00 horas, troquei com a acompanhante do enfermo e, ali permanecei até a manhã do dia 23 de abril/10.

Aí então começou minha via crucis, nenhum médico tinha atendido o paciente, além do plantonista do dia 21. Perguntei as enfermeiras qual era o médico do paciente, cada uma, dizia não ser daquela enfermaria, outras dizia ser Dr. José Batista, este diz não ser ele, ninguém responsabiliza nem mesmo para dar informação. Procurei o responsável pelo Hospital, me informaram ser o Sr. Bruno, cheguei até ele diz, que ia chamar o PM e fazer um BO, este pediu que esperasse. Aguardei até às 11:45, horário em que o Dr. Kassiano de BH, examinou meu, irmão, receitou medicamento, pediu uma série de exames, e deixou pedido de internação para que fosse levado a sala de cadastro, para que cadastrado fosse indicado a vaga para internação, pois o mesmo estava internado como intermidiário.

Tal pedido ficou na papeleta do enfermo. Quando fui até a referida sala saber se tinha saído a vaga, o funcionário diz: não existe pedido de internação para ele aqui. Novamente procurei as indelicadas enfermeiras e deparei com o pedido na papeleta do enfermo.

Procurei a responsável pelo laboratório, para colheita do material (sangue), alegaram que tinha muito sangue no laboratório e não iam colher naquele horário.

Às 3;00 horas da manhã consegui que fosse colhido o material para os referidos exames.

Durante todo este período vivido dentro daquele nasocomo, pude comprovar a falta de responsabilidade e de compromisso dos funcionários da saúde, para com o ser humano e a falta de administração no setor de saúde pública de nossa cidade

Junto ao meu irmão estava José Inácio dos Reis, internado no dia 19 de abril/10, também sem atendimento médico até a sexta-feira 23/04/10, quando por intermédio de uma enfermeira amiga da família, conseguiu um pedido de ultra-som abdominal.

Colocara-o de regime na sexta-feira, no sábado, já era mais de meio-dia, quando este reclamou pelo ultra-som, a enfermeira, disse que sábado e domingo não faz ultram-som, rabiscou a papeleta do paciente e retirou-o do jejum.

O Sr.Antonio Sebastião Felix da Fonseca, acometido de câncer, nos pulmões, internou no dia 23 às 12;30 h, até às 14:00 horas do dia 24 nenhum médico tinha prescrevido nenhum medicamento, também foi atendido pelo Dr. Kaciano.

José Luiz da Fonseca, estava acompanhado seu irmão Nilson Batista da Fonseca, também reclama falta de responsabilidade e interesse dos profissionais de saúde para com seu irmão, internado á vários dias, acometido de pneumonia.

Depois dessa dificuldade toda, chegou a ordem de internação meu irmão, que saiu de intermediário e foi transferido para o quarto 11, junto a mais cinco enfermos. Novo absurdo, uma idosa de 76 anos acompanhando um exepcional, após as enfermeiras limpar, trocar a roupa de cama de do enfermo, colocou as mesmas no chão, aquilo ficou alí no meio do quarto cheirando mal, por uns 10 minutos, quando voltou a enfermeira e mandou a velhinha colocar a roupa suja no banheiro, esta respondeu humildemente, “falam que agente não pode pegar nessas coisas”, o que a enfermeira respondeu:” é de seu neto a senhora pode pegar”.Humildemente a velhinha pegou o monte de roupa suja fétida e levou para o banheiro.

Pude presenciar in-loco, a falta de responsabilidade, dos nossos governantes, no cumprimento das funções que lhe foram atribuídas pela sociedade.

A falta de ética e descompromisso para com a saúde. A falta de amor próprio para com o ser humano. Enfim o descaso em que é tratado o cidadão na área de saúde em Sete Lagoas.

Existe normas hospitalares para nós aompanhantes e pacientes: para visitar, para trocar de acompanhante etc.etc, mas para o profissionais da saúde, é um verdadeiro caos, as normas não são cumpridas, as condutas são irresponsáveis e desumanas, e nenhum responsável aparece para disciplinar os inresponsáveis.

Sete Lagoas, 13 de maio de 2010.

Ilda Alves Teixeira França

OAB/MG 35.964


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