quinta-feira, 29 de abril de 2010

EU QUERIA ATENÇÃO DE UM AMIGO. OU: SIM, EU ERREI

Leitor quero falar com você da minha participação voluntária na vida política de Sete Lagoas nestes quatro anos: 2007 à 2010, e reconhecer um erro meu com Renato Gomes (PV). Começo pelo começo. Neste tempo – 4 anos - eu participei de quase todas as reuniões ordinárias da Câmara Municipal de Sete Lagoas e quase todas as reuniões extraordinárias da Casa. Também fui a todas as regiões e em quase todos os bairros do município conferir problemas de perto e discutir com os moradores soluções reais para aquelas demandas. Ainda participei das mais diversas manifestações ou discussões públicas que aconteceram em Sete Lagoas, aqui não estou falando de nada governamental que envolva a Câmara ou a Prefeitura, mas de acontecimentos empresariais, comunitários... Enfim, dediquei esse período exclusivamente a conhecer, analisar, construir soluções reais e trabalhar para implementá-las.

Não quero ser imprensa
Vocês conhecem um pouco dessa trajetória, sobretudo, a partir de quando comecei a escrever esse blog, 21 de fevereiro de 2008, dois meses depois de tê-lo criado - dezembro de 2007. O fiz inspirado no sucesso de No Prelo, espelhado no modelo do jornalista que eu mais admiro no país, Reinaldo Azevedo e motivado a fazer um trabalho que desmistificasse certas vigarices trapaceiras e também queria despertar Sete Lagoas a se ver melhor: oportunidades e problemas; forças e fraquezas. Mas o que eu pretendia e pretendo não era ser um veículo de comunicação em si, até porque eu acho que esse papel tem que ser cumprido pela imprensa: Sete Dias, Jornal Tribuna, Rede Padrão de jornalismo, Boca do Povo, Jornal Notícia, O Hoje Cidade, Sete Lagoas.com, Portal Sete Lagoas, Primeira Linha, ETV, TV Sete Lagoas, o jornal da Silvana Emeric... Se aconteceu de o blog cumprir o papel de imprensa que faz jornalismo, foi pela ausência da imprensa nesse papel que é seu. E aqui vale registrar que se a imprensa não cumpre, em Sete Lagoas, seu dever o culpado principal não é ela, mas o poder que sempre cooptou-lhe ou perseguiu-a, prestigiando quem aceita se alinhar e desprestigiando os não alinhados. Sim, eu sei que existe aqueles veículos ligados a grupos políticos ou os não vocacionados mesmos para a tarefa; falo dos outros.

Eu não sou o blog, mas ele sou eu
Bem, creio que para uma imprensa melhor localmente é preciso um poder em Sete Lagoas que tenha a dimensão da importância de uma imprensa livre, atuante e independente. Mas o assunto deste texto não é a imprensa ou este blog, sim a participação que tenho na vida dessa cidade. E é isso uma das coisas que eu quero que as pessoas entendam este blog é só uma ferramenta, eu não sou o Blog, eu sou o cidadão que tomou parte na vida da comunidade. E por que eu estou dizendo isso? Porque é assim. Eu sou eu não sou um blog, ainda que o blog seja eu me expressando. Deu para entender? Mas aonde eu quero chegar? Vamos lá.

Explico com um episódio que ocorreu comigo na Câmara de Sete Lagoas nesta quarta-feira. Fui para participar da audiência pública convocada pelo vereador Renato Gomes (PV), que tratou da relação do município com o Hospital Nossa Senhora das Graças - uma produtiva audiência pública, que até o final de semana trato aqui. Bem, lá presente registrei para mim as ideias, dados, debates, a visão de um de outro e adicionalmente também tirei fotos, fiz o papel da imprensa. Lá não tinha nenhum veículo. Mas reitero realizei esse papel sem querer esse papel, meu interesse mesmo é participar como cidadão político das soluções com disse acima. A cobertura que faço nestes lugares é mais para prestigiar as pessoas, os acontecimentos de forma, que na ausência da imprensa, que tem acontecido muito dos veículos aquele momento possa ser "visto". Mas para o que eu quero fazer pela sociedade não preciso, ou não precisaria fazer essa cobertura "jornalística" se quem tem o dever fizesse. Em frente já chego ao ponto.

O que aconteceu é que durante todo tempo assisti ao vereador Renato Gomes cumprimentando as pessoas presentes lá enquanto a reunião transcorria ele registrava as diversas presenças ali. "Ah, já entendi então você estava lá Leonardo e ele o ignorou solenemente, enquanto registra a PRESENÇA dos demais." "Bem feito seu palhaço oferecido!!!" "O seu baixinho otário vai se danar e bem longe daqui, Sete Lagoas não quer saber de você não". É o mínimo que os adversários estão dizendo se eu como está parecendo fui ignorado, não é mesmo? Mas foi o que aconteceu? Foi. E eu fiquei mesmo triste em não ter o nome citado como cidadão ali entre os presentes? Sim ou Não? SIM!

Ah, você então quer reconhecimento? Ora, claro, todos nós gostamos de ser reconhecidos, sentirmos gratificados por algo verdadeiramente de valor que fazemos. Ou diga que não? E por mais que algumas pessoas me neguem, me odem, elas sabem, ainda que não reconheçam, que eu tenho contribuição relevante dada nestes 4 anos, seja, por exemplo, uma ideia entre tantas como a proposta da macrorregião que viabilizou a ideia do Hospital Regional que era da Câmara, seja a reflexão que busco fazer e expressar neste blog e contribui para influenciar o debate e o encaminhamento das coisas em Sete Lagoas. Então, imagine fazer isso ininterruptamente durante esses quatro anos, sofrendo toda sorte de privação econômica que essa escolha exige? O reconhecimento e obstinação são as únicas formas de sustentação pessoal de atuação.

Portanto, claro que eu esperava do Renato na reunião um pequeno, mas valioso gesto de reconhecimento público. E talvez eu esperasse do Renato essa atitude, porque tenho com ele um vínculo de amizade bem anterior ao seu mandato. Isso pode explicar a minha atitude com ele na Câmara nesta quarta-feira.

Deselegância
Eu fui deselegante, grosseiro mesmo com ele. Cobrei-lhe o gesto de reconhecimento da minha presença na Audiência Pública quando foi na minha vez de falar. Disse-lhe: "será que é por que eu participo de todas as reuniões ordinárias e extraordinárias que você não registrou a minha presença aqui. Você não conseguiu ser líder do prefeito por causa da sua inabilidade política", encerrei atacando-0. Caio Dutra e Reginaldo Tristeza reagiram na hora e defenderam o colega de forma corretíssima. Caio disse que de maneira nenhuma ira admitir que um parlamentar ali fosse desrespeitado. Reginaldo Tristeza recomendou ao Renato que presidia a seção que cortasse o microfone. Caio voltou a interferir recomendando que eu me desculpasse com Renato. Na hora recusei-me desculpar (o fiz depois com ele). Devolvi o microfone e voltei para onde eu estava sentado. Renato comentou que todos já tinham notado a minha presença porque eu tinha "invadido o espaço", ele referia-se aos momentos em que aproximei das transparências para tirar fotos.

Sim, eu errei! Deveria ter ignorado o fato de ter sido ignorado pelo presidente da seção, afinal, para ele eu até tinha "invadido" um determinado espaço. Mas sinceramente eu gostaria muito que o meu amigo Renato, muito mais que o parlamentar, tivesse registrado a minha presença. Esse gesto seu teria me sido muito importante, mas reconheço eu não tinha o direito de ser deselegante com ele.
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