terça-feira, 15 de dezembro de 2009

MAROCA É MENOS RESPONSÁVEL DO QUE O PROCESSO DE ESCOLHA QUE, EM SETE LAGOAS, LEVA AO OBSCURANTISMO E PRODUZ ARREPENDIMENTO E SEGUIDAS CRISES POLÍTICAS


Como prometido a vocês, prossigo o bate-papo que começamos onde tratava do "fato político" de 2009, em Sete Lagoas, que chamei de ARREPENDIMENTO.

A percepção em política é tão importante quanto a realidade. Pior ainda quando a percepção negativa de um governo se aproxima da sua lamentável realidade. Em Sete Lagos há um inequívoco sentimento coletivo de ARREPENDIMENTO com a eleição do prefeito Maroca (PSDB). E como procuro desvendar o porquê das coisas, aprofundo neste texto o que justifica esse sentimento facilmente identificável hoje na população sete-lagoana.

Para início de conversa não estou entre aqueles que afirmam que Maroca criou uma grande expectativa. E é por isso que não advogo já fazendo uma digressão para facilitar o entendimento que esse governo é uma enorme decepção. Vejo que a eleição de Maroca se deveu menos ao levantamento de grandes expectativas - esperança - que a de um pleito apático em que o vitorioso, diziam antecipadamente e também depois de ele ser eleito, que, independente de quem fossem os concorrentes ele venceria a eleição, porque o eleitor, noutras palavras, o compenssaria por ele quase ter conseguido chegar lá na disputa anterior. Assim a sua eleição foi um prêmio de... consolação. Portanto focada nele e não na população.

Explico. Pode mesmo ter sido o que aconteceu diante de um pleito apático que não levou o eleitor a refletir melhor sobre quem eram cada um dos candidatos, os problemas da cidade, bem como, não produziu ideias significativas que pudessem despertar a esperança e a alteração profecia do eleito antes da eleição. Mais do que isso tudo a eleição foi a premiação de um ungido, sem que este escolhido tivesse que assumir qualquer compromisso com a população, para o bem e para o mal.

Notem que o discurso geral é: o governo é lento, devagar, não mudou nada e dá de ombros para o que a população pensa a seu respeito.

Esta percepção está correta, mas ela não pode ser explicada com pensam alguns pela incompetência, mas sim pela ausência de um vínculo de compromisso entre eleito e eleitor. A verdade é que o candidato Maroca não teve que lutar para vencer, não teve que explicitar qual era o seu compromisso - com quem, onde, como, quando e por quê. A sociedade o elegeu, como posso dizer, gratuitamente. E esse fosso que cada vez aumenta mais entre povo e prefeito, resulta desse desconhecimento entre as partes que não assinaram um "contrato".

Maroca, meus leitores, recebeu um cheque em branco, e não da nem para dizer que está decepcionado. Porque seria inevitável perguntar decepcionado em quê? E ninguém sabe porque não se descobriu qual era as suas verdadeiras intenções. Até Patrícia Vasconcelos está arrependida. Podemos e temos dizer que estamos decepcionados, mas com o nosso processo de escolha, que permite a um candidato eleger-se sem ter que expor com clareza suas posições e explicitar compromissos, selando um compromisso com o cidadão. É o mesmo que continuar elegendo o deputado Márcio Reinaldo (PP) sem entender direito qual é a sua visão como congressista sobre o país, e porque as operações da Polícia Federal o alcançaram.

Muita gente não quer aceitar mas o negócio é que Sete Lagoas faz parte do Brasil e como cidadões de um país livre temos que fazer essa cidade de 250 mil habitantes ser mais transparente, não é? Ou continuaremos a nos arrepender das nossas escolhas feitas de forma obscurantista.
Postar um comentário