terça-feira, 15 de dezembro de 2009

PSDB E PMDB juntos em Minas - Hélio Costa mantém negociação paralela com Aécio

Por Josias de Souza, Folha:
Candidato do PMDB ao governo de Minas, o ministro Hélio Costa mantém com o tucano Aécio Neves uma negociação subterrânea.

As conversas de Hélio com Aécio correm em via paralela à da articulação que tenta reproduzir em Minas o acordo nacional PMDB-PT.

Hélio Costa achega-se a Aécio porque o PT resiste em apoiá-lo. Prefere lançar um candidato próprio. Hoje, o mais cotado é o ex-prefeito Fernando Pimentel.

Deu-se a coisa de um mês a última reunião reservada de Hélio Costa com Aécio. Depois disso, falaram-se pelo telefone.

Aécio não cogita apoiar o ministro pemedebê. Carrega nos ombros a candidatura de seu vice, o também tucano Antonio Anastasia.

Porém, o governador tucano de Minas mostra-se inteiramente aberto a uma composição com o PMDB. Oferece a posição de vice ou uma vaga ao Senado.

Noviço em eleições, Anastasia frequenta a rabeira das pesquisas. Veterano de urnas, Hélio Costa está na dianteira.

A última sondagem, divulgada por um diário mineiro no sábado (12), atribuiu a Hélio Costa 44% das intenções de votos.

O petista Fernando Pimentel amealhou 20%. O ministro do Bolsa Família, Patrus Ananias, que disputa a vaga do PT com Pimentel, cravou 18%. Anastasia, 12%.

Pragmático, Hélio Costa faz o seguinte cálculo: se Aécio Neves conseguir empinar a candidatura de Anastasia ao nível de 30%, o jogo de Minas estará jogado.

Acha que só unidos em torno de um único nome PMDB e PT poderiam pensar em medir forças com um Anastasia bafejado por 30% e empurrado por Aécio.

Mais bem posto nas pesquisas, Hélio Costa insiste na tecla de que cabe ao PT apoiar o PMDB, não o contrário.

O diabo é que o petista Fernando Pimentel não cogita abandonar a disputa. Ao contrário.

Diz, entre quatro paredes, que o PT nunca reuniu tantas chances de chegar ao governo de Minas como agora.

Vem daí que, num dos diálogos que manteve com Aécio, Hélio Costa animou-se a propor:

“Você tenta viabilizar o seu candidato. Se chegar com ele a 30 pontos, será muito difícil para alguém em Minas batê-lo...”

“...Mas se não conseguir viabilizar o Anastasia nesse nível, faço o convite para você apoiar a gente”.

Dono de popularidade que ultrapassa os 70%, Aécio não trabalha senão com a hipótese de que seu candidato vai decolar.

Mais: joga com a hipótese de que, em Minas, o caldo em que fervem as relações entre PT e PMDB vai entornar.

Por isso mantém abertas as portas para uma composição com Hélio Costa, dispondo-se a negociar a vice de Anastasia e uma vaga ao Senado.

Em 2010, o eleitor mineiro terá de eleger dois senadores. Na chapa tucana, uma das vagas está reservada para o próprio Aécio. A outra bem pode ser de Hélio Costa.

Em Brasília, a cúpula do PMDB observa a evolução do quadro mineiro com viva apreensão.

Unido à candidatura presidencial de Dilma Rousseff por um acordo pré-nupcial, o alto comando do PMDB receia que o envenenamento de Minas comprometa o casamento.

A união precisa ser selada em convenção nacional, marcada para junho. Vem de Minas o maior contingente de delegados: 58.

Hélio Costa lança um olhar para além da convenção. Reservadamente, afirma que a apreovação ou não do nome de Dilma já não é o mais relevante.

Acha que, ainda que o PMDB confirme a aliança, a dupla candidatura mineira, uma dele e outra de Pimentel, condenaria Dilma a levar uma surra nas urnas de Minas.

Considera inviável reproduzir em Minas a política do palanque duplo que se negocia para Bahia e Pará, Estados em que PMDB e PT também devem medir forças.

O quartel general do PMDB tenta fazer ver ao alto comando do PT que um eventual acerto de Hélio Costa com Aécio converteria Minas numa espécie de inferno de Dilma.
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