terça-feira, 30 de junho de 2009

O Vereador Reginaldo Tristeza Pode Sofrer Representação Por Quebra de Decoro Parlamentar


Vejam inicialmente como têm se comportado o vereador Reginaldo Tristeza e a secretária Maria Lisboa, por esses procedimentos a seguir. A secretária em entrevista ao jornalista João Carlos de Oliveira da Rádio Cultura o vereador na Tribuna da Câmara:

Maria Lisboa: “ELE É UM VEREADOR DA ÁREA DE EDUCAÇÃO; TEM UMA PREOCUPAÇÃO QUE EU LOUVO — EU GOSTO DO VEREADOR REGINALDO, DO ESTILO BATALHADOR E DE LUTA.”

Reginaldo Tristeza: “FORA LISBOA!”

Comento
Sem saber que dessa fala da professora eu escrevi “Mas, suponho, ela [Maria Lisboa] deve ter melhores princípios para conceder-lhe [Reginaldo Tristeza] o respeito que ele não lhe dá. A fala dele eu já conhecia.

Elegemos parlamentares para desrespeitarem, humilharem e chutarem a ética? Creio que não, não é verdade? Mas essa tem sido a repetida atitude do vereador Reginaldo Tristeza em relação a nossa secretária de educação Maria Lisboa. Enquanto a secretária trata o vereador com grande deferência. “Ele é um vereador da área de Educação; tem uma preocupação que eu louvo — eu gosto do vereador Reginaldo, do estilo batalhador e de luta”, diz ela. Assistimos a ele lhe chutá-la, numa tentativa de esmagá-la, destruí-la e humilhá-la, como ficou claro em um recente pronunciamento seu na Câmara, ao dizer: “Fora Lisboa”.

Muito pior do que isso, muito. Não faz tanto tempo assim assistimos a um fragrante de sua falta de decoro parlamentar ao expor na Tribuna da Câmara um diálogo telefônico que ele teve com a secretária de Educação. Revelou a conversa: “Ela chamou os professores da Escola Municipal Helena Branco de mafiosos.” E mais: Ele ainda confessou: “Eu ainda repeti o que ela falou ao telefone comigo para que todos do meu gabinete pudessem ouvir. Ela os chamou de mafiosos”.

Bem, tudo isso vem acontecendo dentro da Casa do povo. E como a secretária é uma mulher que não se verga fácil. Há um absurdo silêncio na Instituição diante da violência e falta de decoro parlamentar. O incomodo que começa a aparecer vem da sociedade. Começa-se a questionar se esse é comportamento também outros vereadores, como me perguntou um funcionário de uma rádio local. Bem, estamos diante uma fragrante falta de decoro parlamentar e agressividade absurda desse senhor Reginaldo Tristeza e pelo que fui informado hoje ele poderá sofrer uma representação por quebra de decoro parlamentar. A Câmara Municipal de Sete Lagoas vai continuar assistindo a secretária ser pisoteada para ele apareça? Não, a instituição não pode aceitar o desrespeito e a violência sob pena de se transformar com o silêncio cúmplice no espaço da tirania que esmaga.

Questão: esse comportamento do vereador Reginaldo Tristeza representa o padrão de comportamento dos vereadores de Sete Lagoas? Eu ainda acho que não.

PS.: A professora Maria Lisboa teve a humildade para reconhecer que deveria ter empregado outros termos e até se desculpar. Eu pergunto o vereador tem humildade para admitir que errou? Sinceramente, eu duvido. É bom ficar claro: um erro não justifica o outro.

PS2.: Estou pegando no pé de Reginaldo Tristeza? Não, estou expondo uma violência que vem acontecendo. "Os fatos são fato não são fetos" inclusive acabei de rever a gravação da fala do vereador na Tribuna da Câmara no dia 03 de fevereiro é uma contunde falta de decoro do parlamentar. Bem, pensem o que quiser, os fatos estão aí expostos.. Maria Lisboa tenha os erros que tiver afinal somos mesmos seres imperfeitos, não se pode aceitar que ela sofra tamanha e reiterada agressão sem que se faça nada. E QUEM É PERSEGUE QUEM MESMO? nA PERGUNTA DO JORNALISTA JOÃO CARLOS FICA CLARO, REPAREM: "SERIA UMA CAMPANHA DO VEREADOR REGINALDO TRISTEZA, PARA AFASTÁ-LA DA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO". QUER DIZER, TÁ TODO MUNDO ENXERGANDO O QUE ESTÁ ACONTECENDO!

A seguir a entrevista da secretária ao Jornalista João Carlos de Oliveira no Jornal Centro de Minas, com intervenções minhas em azul.

*
O embate entre o vereador Reginaldo Tristeza e a secretária Municipal de Educação, Maria Lisboa, tem ganhado muita repercussão na imprensa local e no meio da comunidade. Ao participar do programa Sem Censura da Rádio Cultura, Maria Lisboa se mostrou muito tranquila e equilibrada em suas falas. Muitos esperavam que a secretária se exasperasse e desse alfinetadas no vereador, mas foi uma entrevista de alto nível, como condiz a uma pessoa culta e que ocupa um cargo tão importante na área da Educação.
Maria Lisboa avaliou que o que existe não se trata de um confronto e sim um conflito entre seu modo de ser e agir com a Câmara de Vereadores e com palavras que mais pareciam um tapa de luva disse que gosta do estilo batalhador do vereador Reginaldo Tristeza e que ambos têm temperamentos fortes e visam melhorar a qualidade do ensino na rede pública municipal; No entanto, a secretária disse que o que gera descontentamento é o não atendimento a pedidos de vereadores e que esta prática não condiz com o projeto de democratização do ensino proposto pelo prefeito Maroca.

JC: A imprensa local, recentemente, estampou uma manchete: “Fora, Maria Lisboa”; seria uma campanha do vereador Reginaldo Tristeza, para afastá-la da Secretaria de Educação. Como você assimilou este fato?
Lisboa: Há vários ângulos para nós analisarmos. Primeiro é a questão de uma política que estamos desenvolvendo em que temos definido critérios, normas para o atendimento geral da população, porque os nossos processos, conforme o programa do prefeito Maroca, visam a democratização e democratizar, para mim, significa atuar conforme critérios, normas tipo o que um pode todos podem. Antes sempre havia um grupo que conseguia chegar à Prefeitura, à Secretaria e manter muitos privilégios, muitos atendimentos personalizados e uma comunidade que ficava distante e silenciosa não era atendida porque sempre estes privilégios alcançavam algumas pessoas. Quando você define critérios e normas, enfrenta problemas sérios. Em relação ao vereador Reginaldo, acho que existe o problema do próprio temperamento dele — ele é um vereador da área de Educação; tem uma preocupação que eu louvo — eu gosto do vereador Reginaldo, do estilo batalhador e de luta. O Reginaldo vê as mazelas todas da área de Educação. A escola pública pode ser de muito melhor qualidade e ele é um batalhador por estas condições, mas, às vezes atropela.”

JC: Esta ‘trombada’ entre você e o vereador Reginaldo Tristeza tem que tipo de conotação, na sua visão?
Lisboa: Não sei se por ter urgência, não sei se do ponto de vista em querer que se faça de uma determinada forma e talvez pelos nossos temperamentos muito próximos tenhamos ‘trombado’ em alguns momentos. Mas, acho que o Reginaldo vai perceber, com o tempo, que estamos do mesmo lado, lutando pela melhoria da Educação — eu com o nível de responsabilidade como secretária, como Executivo e ele com outro nível de Legislativo — então, às vezes, estas funções que são muito diferentes podem trombar. Mas, não vejo, em momento nenhum, que o vereador Reginaldo se torna um desafeto. Pelo contrário, é um batalhador.”

Tenho muita dúvida professora se algum dia se esse senhor vai admitir o valor do seu serviço para a Sete Lagoas. Para reconhecer a grandiosidade da sua contribuição tem que honestidade intelectual e enxergar longe.

JC: Este confronto público desgasta seu ânimo de trabalho ou sua imagem junto ao governo municipal?
Lisboa: Não acredito. Acho que realmente tenho a confiança do prefeito Maroca
— o tempo todo ele tem demonstrado e fala sobre isto — na verdade cumpro um programa, um compromisso que ele assumiu durante a campanha. Então, tenho a certeza que o prefeito tem uma confiança muito grande no meu trabalho. Em relação ao desgaste público, digamos assim, administrar é uma missão muito ingrata — quando .a gente administra tem a certeza de que sempre vai agradar uns e desagradar a outros — o que a gente tem que equilibrar aí é agradar a muitos e desagradar a poucos — este é o equilíbrio, mas, sempre haverá aqueles insatisfeitos. Esta oposição acaba congregando os insatisfeitos e os insatisfeitos se manifestam mais — eles gritam e colocam suas questões até como forma de pressão, e os satisfeitos costumam ficar em silêncio.”
Aqui o entrevistador sente que a violência pode acabar com o animo da educadora.

JC: Os insatisfeitos, como você mesmo disse, põem a boca no trombone. Mas, você sente aceitação ao seu trabalho?
Lisboa: Temos visto, dentro da rede municipal, diretores, professores, na própria Secretaria funcionários que estão considerando que viemos para uma mudança e uma mudança muito salutar, para uma mudança dentro de uma organização, de formulação de critérios. Temos os insatisfeitos que têm o direito de reclamar, de dizer que as coisas não caminham da forma como gostariam. Mas, o que mais me assusta nesta questão é que normalmente a denúncia ou a crítica recai muito sobre o meu modo de atuar — o Reginaldo disse que sou até sem educação. Não é bem isto. Meu modo de atuar é veemente, enfático, incisivo e acho que este modo assusta. Se não gostei digo que não gostei; se é para dizer que não pode, digo e não douro muito a pílula. Então, esta denúncia sobre meu modo de ser me deixa com uma interrogação muito grande. E só isto? Será que o modo de ser tem que ser prioridade em cima da ação, das realizações, da forma como as coisas estão sendo conduzidas?

O chefe de gabinete do prefeito me disse que sexta-feira teve um grupo que preocupado em garantir que a secretária permaneça fazendo o trabalho foi ao gabinete levar o seu apoio a secretária.

JC: Você sente que o confronto é entre Maria Lisboa x Reginaldo Tristeza ou Secretaria de Municipal Educação x Câmara Municipal?
Lisboa: Na verdade o confronto entre Executivo e Legislativo, ou seja Secretaria e Câmara existiu também no passado com outros vereadores, em função um pouco desta questão de quando você define critérios e normas e você não pode atender a determinados pedidos. Toda vez que alguém não é atendido fica insatisfeito e, sobretudo, aí vem a questão da forma, quer dizer, não atender com uma certa veemência fica ainda mais difícil das pessoas aceitarem. Esta dificuldade seria mais conflito e não confronto; acho que é mais conflito de atribuição, de formas de conduzir a questão educacional — os vereadores têm direito de pensar a Educação e de desejar uma Educação de melhor qualidade — mas, eles pensam isto dentro de uma determinada forma: Este conflito está presente, mas não há confronto com a Câmara. Até porque sou, por princípio, absolutamente democrática; o eixo norteador da minha atuação é a democratização da sociedade como um todo e acho que o Legislativo é peça fundamental no processo democrático.

A secretária está certa, a reclamação em relação a sua forma está em boa medida ligada ao não atendimento de interesses.

JC: Eleição de diretor e vice foi uma promessa de campanha do prefeito e algo há muito aguardado por toda a área de Educação. Em que pé está este assunto?

Lisboa: Está indo bem. Agora está na Câmara de Vereadores, para regulamentar— o processo está bem exatamente porque as próprias normas da eleição foram muito discutidas por comissões, com os sindicatos, SindUte, UNSP, com os próprios diretores. Não será um processo imposto pela Secretaria de Educação ou pelo prefeito, mas sim um processo construído junto com a categoria e com a comunidade que desejam muito esta eleição. A liderança de um diretor de escola é muito importante. E não é só a liderança; aquele diretor que se dispõe a participar de uma eleição está dizendo do compromisso que está assumindo com aquela comunidade e escola. E aqueles que expressam sua confiança, através do voto, na figura do diretor que será eleito também modifica a relação entre os que confiam numa pessoa e a pessoa que vai chefiar. Isto para a escola é muito importante dentro do nosso projeto chamado Democratização da Escola e de busca de uma maior autonomia da escola.
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