terça-feira, 8 de setembro de 2009

Sete Lagoas tem que tratar água que fornece a população, não basta “um simples procedimento de cloração”

Quem diz a verdade não merece castigo, é o que manda a antiga máxima. Será uma injustiça do SAAE se penalizar o diretor que disse de forma honesta como é processamento da água em Sete Lagoas e está deixando assombrada a sociedade. Aliás, o própria Prefeitura revelou há pouco tempo como o SAAE procede em relação a água da cidade. Leiam o que diz o texto oficial volto em seguida:

Em Sete Lagoas, a captação da água é subterrânea. Na maioria dos casos, o bem é retirado de poços profundos, que chegam a até 100m de profundidade. Assim, o recurso já chega à superfície sem maiores contaminações, uma vez que passa por um processo de filtração natural do subsolo. Para atender as exigências da portaria do Ministério da Saúde e fornecer uma água de qualidade à população da cidade, o SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) realiza apenas um simples procedimento de cloração.

Reparem que tudo o diretor disse ao blog já estava expresso no e assumido oficialmente. O SAAE considera que o “recurso” (água) é filtrado pelo subsolo e, portanto, é só fazer, vale repetir, UM SIMPLES PROCEDIMENTO DE CLORAÇÃO. Mas a premissa do SAAE está errada como se verá adiante.

Antes recordemos como é a nossa velha rede de esgoto. Ela é na maior parte formada por velhas manilhas de barro que vive arrebentando e escorrendo pelas ruas, não é mesmo? E também Sete Lagos é uma cidade com forte atividade industrial, agropecuária e agrícola. Bem, qual é o significado disso numa região de solo cárstico? Resposta com um dos maiores especialistas em geologia do país, Álvaro Rodrigues dos Santos:

Do ponto de vista ambiental, os terrenos cársticos, pela franca e rápida drenagem com que podem propiciar a comunicação entre águas superficiais e águas subterrâneas, obrigam um redobrado cuidado para que se evite a contaminação do lençol freático por poluentes urbanos, industriais ou rurais de superfície.

Ele é geólogo, ex-diretor de Planejamento e Gestão do IPT e ex-diretor da Divisão de Geologia da mesma entidade; autor dos livros “Geologia de Engenharia: Conceitos, Método e Prática”, “A Grande Barreira da Serra do Mar”, “Cubatão” e “Diálogos Geológicos” e consultor em Geologia de Engenharia, Geotecnia e Meio Ambiente.

Ainda recorrendo aos especialista diz outro:

A contaminação biológica (bactérias, vírus, poros e outros) é muito comum em sistemas cársticos bem desenvolvidos (com cavernas e grandes condutos), principalmente quando as áreas de “recarga” do aqüífero são ocupadas por atividade antrópicas ou urbanas.

Agora vejam o que disse a própria prefeitura contrariando o texto simplista de agora: “o sério problema de CONTAMINAÇÃO do lençol subterrâneo (...) o esgoto vem penetrando uma fenda, afetando diretamente o lençol subterrâneo, o que sem dúvida causa sua contaminação.”

Fechando. O que, o diretor do SAAE, Sr. Diomedes relatou é apenas a prática da diretriz do órgão. A premissa do SAAE é que está errada, o solo de Sete Lagoas não é um bom filtro, muito ao contrário. Ah, isso sem falar que a água de Sete Lagoas não recebe o Flúor que protege contras cáries. A seguir veja o processo de tratameto convencional da maioria das cidades e que você tem direito. Imagem e texto são da Sabesp.

O tratamento convencional consiste nas seguintes etapas:

Pré-cloração: Inicialmente é feita adição de cloro, assim que a água chega à estação. O objetivo é facilitar a retirada de matéria orgânica e metais do líquido;

Pré-alcalinização: Depois do cloro, a água recebe adição de cal ou soda, que servem para ajustar o pH* aos valores exigidos nas fases seguintes do tratamento.

*Fator pH - O pH refere-se à água ser um ácido, uma base, ou nenhum deles (neutra). Um pH de 7 diz-se neutro, um pH abaixo de 7 é "ácido" e um pH acima de 7 é "básico" ou "alcalino". Tal como a escala de Richter, usada para medir terremotos, a escala do pH é logarítmica. Um pH de 5,5 é 10 vezes mais ácido do que água com um pH de 6,5. Para o consumo humano recomenda-se um pH na faixa de 6,0 a 9,5, na rede de distribuição.

Coagulação: Nesta fase tem-se a adição de sulfato de alumínio, cloreto férrico ou outro coagulante, seguido de uma agitação violenta da água para provocar a desestabilização elétrica das partículas de sujeira, facilitando assim a sua agregação.

Floculação: Após a coagulação há uma mistura lenta da água, que serve para provocar a formação de flocos com as partículas.

Decantação: Este processo faz com que a água passe por grandes tanques para a decantação dos flocos de sujeira formados na floculação.

Filtração: Logo depois, a água atravessa tanques dotados com leitos de pedras, areia e carvão antracito, responsáveis por reter a sujeira que restou da fase de decantação.

Pós-alcalinização: Nesta etapa é feita a correção final do pH da água, para evitar problemas de corrosão ou incrustação das tubulações.

Desinfecção: Finalmente é feita uma última adição de cloro na água antes de sua saída da Estação de Tratamento. Ela serva para manter um teor residual até a chegada na casa do consumidor. Além do que isso garante que a água fornecida fique isenta de bactérias e vírus.

Fluoretação: Também é feita a adição de flúor na água para a prevenção de cáries

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