quinta-feira, 17 de setembro de 2009

UMA AGENDA FOI O QUE FALTOU

Estive nessa segunda e terça no Centro Universitário de Sete Lagoas – UNIFEMM para participar do seminário “Uma Agenda para o Planejamento Municipal”. A palestra de abertura do evento, foi proferida pelo Professor Antonio Anastasia e na terça foi realizada uma mesa-redonda. Dela fizeram parte Flávio de Castro, secretário de Planejamento, o reitor do UNIFEMM, Sr. Antônio Bahia e a professora Élida Graziane, idealizadora do evento.

Bem, vou me ater aqui a mesa redonda, a palestra do Professor Anastasia está disponível abaixo em áudio para quem quiser ouví-la. Pois é, acreditem, não sou o único a cuidar do tema água não - que bom!. Tanto a professora Élida quanto o reitor abordaram em suas falas a questão. A professora se preocupou se vamos poder continuar crescendo com a disponibilidade de água que temos; o reitor em sua fala tratou da questão dizendo que o modelo que Sete Lagoas escolheu - captação subterrânea e o hábito de consumo leva a situação atual.

Eu tenho profundo respeito e admiração pelo Dr. Antônio Bahia Filho, o reitor do Campus. Isso não me obriga a concordar com suas argumentações sobre esse ou aquele assunto. E ontem discordei de suas posições em minha participação. Tratei da questão do consumo, dizendo que percaptamente Sete Lagoas consome não mais, mas menos água que em outras cidades com oferta regular. Isso porque com indisponibilidade do bem durante a maior parte do dia e por causa que se bebe em Sete Lagoas é água mineral e não torneral, se permitem neologismo. Assim, portanto, temos uma demanda reprimida de água.

Antes que eu me aprofunde nessa questão da demanda reprimida - que farei em outro post -tenho que tratar da discordância feita por Flávio de Castro sobre a minha posição explicitada lá em favor da vinda Copasa para Sete Lagoas. Flávio disse que num ranking que, creio, feito pela Trata Brasil as administrações municipais tem se saído melhor que estadual no tratamento de esgoto. Grande coisa!? Mesmo que isso for verdade, o que não acredito, só mostraria mais incompetência histórica da cidade. É só lembrar que como administração municipal nós fracassamos feio nessa área e em outras...

E pouco me interessa essa estatística alheia a nossa realidade, porque nesse ou em qualquer ranking de Saneamento que se fizer Sete Lagoas vai estar muito, muito mal. E mais: não tem expertise e nem recursos para reverter, sozinha, esse quadro, em menos de algumas décadas, portanto, como não vivemos de estatística, sobretudo, dos outros, essa conversa é mais uma para não enfrentar a realidade e ficar nesse academicismo tolo.

Flávio entrou também na seara do blá, blá, blá, dizendo que seja o SAAE ou concessão para tratar do Saneamento, a responsabilidade é nossa. É? Que coisa hein... o cara gosta mesmo é de chover no molhado. E da aí? Ou de outra forma: "E eu não sei?" Acho que Mussum dos Trapalhões que falava assim. O que está faltado é atitude, ação, providência e essas coisinhas que resume em fazer acontecer. Coisa, aí sim, que esse governo municipal ainda não descobriu que é sua responsabilidade. Aliás, é por ser sua obrigação intransferível que a cidade tem na LEI DO SANEAMENTO 11. 445, A SEGURANÇA DE PODER BUSCAR A COPASA E MANTER O CONTROLE DIRETIVO SOBRE A QUESTÃO, UM PRIVILEGIO DESSA NOVA LEI. Chega de conversa fiada, chega de ficar citando esse ou aquele conceito; essa ou aquela estatística. Mãos a obra.

Ah, também dizem que é preciso abstrair-se dos problemas - colocá-los em perspectiva - para debaté-los, referiam-se provavelmente a minha ansiedade em que as coisas aconteçam. Concordaria, isso seria o certo a fazer em outro contexto, não nesse que em Sete Lagoas vive. Assim não, não me arrependo de não ter o sangue gelado para fazer como a maioria que vê o problema e continua tendo a tranquilidade para continuar... traquila em seu lugar ou ficar citando estatística.

Ah, ia me esquecenso, o Flávio pode ficar tranqüilo porque lá na sua casa no bairro Santo Antônio, EM BELO HORIZONTE, tem COPASA, que fornece água de boa qualidade disponível 24 horas por dia. Já quem mora em Sete Lagoas de verdade, vamos dizer assim, não poderia nunca ficar tranqüilo. Afinal, aqui as coisas básicas não estão resolvidas, assim não dá para ficar nesse papo de um plano de longo prazo e estatística para quem não tem nem água para beber. Agora precisamos, sim, é de senso de urgência!!! E de uma agenda de ações emergenciais. E para justificar numa frase o título: exatamente, agenda, é o que o governo Maroca não tem, por isso fica inventando moda e não sai do lugar.
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