sábado, 28 de agosto de 2010

DOIS MINEIROS ESTÃO ENTRE AS VÍTIMAS DE CHACINA NO MÉXICO

Por GABRIELA MANZINI, Folha:
Os passaportes de dois brasileiros naturais da mesma região em Minas Gerais foram encontrados no sítio da cidade mexicana de San Fernando, onde narcotraficantes esconderam os corpos de 72 imigrantes, que foram sequestrados, torturados e fuzilados nesta semana. As autoridades não divulgaram os nomes porque querem entrar em contato com as famílias primordialmente.

De acordo com o cônsul do Brasil no México, Márcio Lage, o corpo de um dos brasileiros já foi localizado mas as autoridades mexicanas ainda procuram pelo segundo. Segundo a Procuradoria do Estado de Tamaulipas, até a noite de ontem, tinham sido identificadas 41 das vítimas, que seriam levadas para o necrotério da cidade de Reynosa.

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O México informou inicialmente que havia ao menos quatro brasileiros entre as vítimas. O procurador de Tamaulipas, Jaime Rodríguez, havia indicado anteontem que entre os corpos identificados estava um brasileiro, mas o cônsul brasileiro havia posto em dúvida a informação.

MASSACRE

A Marinha mexicana encontrou os 72 corpos nesta terça-feira (24), em uma fazenda perto da cidade de San Fernando, no Estado de Tamaulipas, norte do México e perto da fronteira com os Estados Unidos.

Um jovem equatoriano identificado como Freddy Lala Pomavilla teria sobrevivido ao massacre fingindo-se de morto. Ferido com um tiro na garganta, ele chegou a um posto da Marinha mexicana e contou às autoridades sobre o massacre de imigrantes brasileiros e equatorianos.

Freddy relatou que os estrangeiros foram sequestrados por um grupo criminoso, quando tentavam chegar à fronteira com os EUA. Os homens disseram pertencer ao grupo Los Zetas, e ofereceram trabalho como matadores de aluguel por US$ 1.000 quinzenais. Quando os imigrantes recusaram a oferta, os criminosos atiraram.

A Marinha foi até o local e entrou em confronto com o grupo. Pouco depois, encontrou os corpos no rancho.

Segundo a polícia, as vítimas, que se acredita sejam migrantes da América Central e da América do Sul --incluindo quatro brasileiros-, parecem ter sido amarradas com os olhos vendados antes de serem enfileiradas em uma parede e mortas a tiros.
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