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sábado, 21 de agosto de 2010

A ameaça que vem das ditas “democracias plebiscitárias”


Por Wilson Tosta, no Estadão:
No painel O futuro da democracia e o jornalismo, na abertura do 8.º Congresso Brasileiro de Jornais, o sociólogo e colunista do Estado Demétrio Magnoli disse que a imprensa não se deu conta de que virou pauta em razão do momento político da América Latina. Segundo ele, a emergência de “democracias plebiscitárias” na região cria a teoria de que a imprensa não é um mediador, mas um partido político, um jogador da política.

Essa concepção, segundo ele, é a base de projetos de jornalismo estatal feito por empresas que não são de comunicação e estão se associando ao Estado - como as teles brasileiras - para dizer o que o Estado quer que seja dito.

“O projeto da tirania plebiscitária exige a eliminação do mediador, que é, no fundo, a eliminação da opinião pública”, afirmou. Isso significa, segundo ele, “eliminar a imprensa e fazer com que o Estado converse diretamente com os cidadãos”.

Magnoli citou como exemplo o Blog da Petrobrás. “Não tenho nada contra nenhuma empresa ter o blog da sua empresa. O problema é a teoria de que estava na hora de o Estado fazer a notícia, a empresa vai dizer a verdade diretamente, passando por cima dessa gente que quer manipular a verdade e não quer deixar o povo ouvir a voz do Estado.”

Segundo Magnoli, o projeto gerado pela teoria da imprensa como partido tem “como epítome a Telesur, da Venezuela”, e, no Brasil, o canal estatal TV Brasil. Ele explica que a ideia, nesses casos, é criar uma imprensa alternativa feita basicamente por empresas de telecomunicações “que se associam politicamente ao Estado para produzir notícias” e para “dizer aquilo que o Estado quer que seja dito”.

O diretor de Redação do jornal Folha de S. Paulo, Otavio Frias Filho, manifestou preocupação com a ação de presidentes plebiscitários sul-americanos, como Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia) e Rafael Correa (Equador). Segundo ele, o principal perigo que ronda as democracias é o da ditadura da maioria. Para ele, exercer jornalismo crítico é mais difícil quando se está sob um governo popular, com maior capacidade de intimidar. “Não vejo uma reação muito diferente entre o general Figueiredo, na época em que era presidente, e o presidente Lula hoje, no que diz respeito à insatisfação cada vez que são objeto de algum tipo de crítica.”

Otimismo
Joshua Benton, da Universidade Harvard, se disse otimista quanto ao futuro dos jornais tradicionais. Ele lembrou que, no passado, revoluções semelhantes também já geraram previsões catastróficas
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