domingo, 18 de julho de 2010

ENTREVISTA DE HÉLIO COSTA AO JORNAL O TEMPO

Por Carla Kreefft, O Tempo:
Na corrida pela cadeira de governador do Estado pela terceira vez, o peemedebista apresenta seus projetos e propostas para o eleitor mineiro e afirma que existe a necessidade de mudanças em áreas consideradas essenciais como a segurança, a saúde e a educação

Qual é a avaliação desse início de campanha? Os nossos partidos da aliança, tanto PT quanto PMDB, tiveram uma pré-campanha que foi bem movimentada com disputas internas. E esse momento de disputa, por mais que ele possa parecer divisionista, foi mais agregador porque ele levou as lideranças do PT e do PMDB ao interior. E quando terminou a disputa, nós nos encontramos. Nós não tivemos perdedores, tanto no PT quanto no PMDB, nós fomos todos ganhadores pelo que nós conseguimos fazer no interior de Minas. Vejo que só houve ganhadores porque nós conseguimos aquilo que o presidente Lula tinha colocado para nós, que era a chapa dos sonhos - os três fortes candidatos disputando cargos majoritários, de governador, senador e vice. Acho que a pré-campanha foi excepcionalmente bem sucedida, o que nos colocou em uma posição também bem sucedida.

Houve uma cisão do bloco PT/PMDB na Assembleia. O senhor acredita que vai conseguir manter a unidade da base de Lula? Eu não vejo maiores dificuldades para fazer a recomposição do bloco. É uma reação ainda relacionada com a formação das chapas proporcionais. O PMDB tem ainda algumas preocupações de não fazer um grande número de deputados porque a sua chapa não conseguiu fechar com os outros partidos. A chapa do PT era forte, a chapa do PMDB era forte, e, assim, duas chapas fortes acabam se prejudicando, enquanto que as duas chapas separadamente acabam perdendo. Então nós fizemos um apelo aos nossos companheiros do interior, ex-prefeitos, vereadores, lideranças, para que se apresentasse, numa emergência, como candidatos a deputado estadual. Essa é a razão pela qual eu penso que o problema será solucionado, e nós vamos, nos próximos dias, equacionar essa questão.

Qual é o peso do seu vice, o ex-ministro Patrus Ananias, na campanha? Patrus é absolutamente fundamental para a nossa campanha, ele vem compor a nossa proposta de governo com uma posição que não tem ninguém no Brasil melhor do que a dele. Nós queremos o desenvolvimento de Minas com progresso e justiça social. Eu não encontro no quadro político ninguém melhor para produzir as ações sociais do que Patrus Ananias. O candidato ao Senado Fernando Pimentel também vai nos ajudar muito porque ele foi um prefeito moderno e desenvolvimentista, muito forte na cidade de Belo Horizonte, com algumas obras que são marcantes até em nível nacional, como o Vila Viva. Houve uma revolução urbana em Minas com a gestão do PT, com o orçamento participativo, que nós estamos levando para a nossa proposta. Então Patrus é fundamental para nós, Pimentel também.

O senhor acha que leva uma vantagem em relação ao adversário em função da sua experiência? Eu acho que na questão da experiência, nós estamos mais ou menos no mesmo nível. Ele foi secretário, foi vice governador. Por outro lado, eu fui deputado, senador, presidente de importantes comissões no Senado e depois ministro por cinco anos, desenvolvendo projetos que chegaram a todos os Estados do Brasil. Essa experiência foi muito importante. Agora, o que diferencia a gente é que tem candidatos que são puramente técnicos e do nosso lado, tanto eu quanto Patrus, a gente usa muito a cabeça, usa o mesmo computador que os nossos adversários, mas a gente usa também o coração. E é muito importante usar o coração nas decisões que envolvem pessoas.

Cite um ponto de seu programa para segurança. A segurança pública tem que ser imediatamente reavaliada em Minas. Nós tivemos um aumento significativo em Minas, de 2002 a 2010, do índice de violência no Estado. Estamos buscando caminhos. Primeiro, a valorização das polícias Militar e Civil. O profissional bem remunerado, que tem estrutura técnica e recursos de informática, desempenha melhor o seu trabalho. A gente tem que tratar a questão da violência procurando inovações, como as guardas comunitárias. Tem também o projeto do governador Sérgio Cabral de ocupar as regiões mais violentas. O combate às drogas tem que ser outro caminho inevitável para conter a violência.

E na saúde? No caso específico da saúde, o primeiro compromisso nosso é de rever a relação do Estado com os municípios. A Emenda 29 é muito clara. Ela manda o repasse de 12% do Estado aos municípios. Se esse repasse não é feito, a carga vai nas costas das prefeituras. Nossa primeira preocupação então é o cumprimento da Emenda 29.

E na educação e infraestrutura? Eu acho que ainda faz muita falta em Minas a estrutura da creche ligada ao ensino infantil, porque a mãe que trabalha entra em desespero porque não sabe onde colocar o seu filho. Em segundo lugar, o ensino fundamental. A maior reclamação que eu recebo é do professor e da professora que se sentem desamparados e não recebem o piso salarial nacional. Em janeiro, nós temos que assentar - governo, sindicato, professores - e estudar uma melhor solução. Não uma solução para fugir da crise, para não manter um professor fazendo greve em um momento de campanha. No setor de infraestrutura precisamos da ajuda do governo federal. As pequenas, médias e grandes cidades têm problemas tão sérios que só com recursos do governo federal conseguiremos sanar isso. Quanto mais próximo estiver o governo de Minas do governo federal, mais recursos nós vamos conseguir trazer recursos para cá.

O senhor fala em aumentar repasses para os municípios. De onde o senhor pretende tirar esses recursos? Se você observar os números, a receita que o Estado tinha em 2002 era de R$ 12 bilhões. Hoje, em 2010, R$ 46 bilhões é o orçamento. Houve um aumento extraordinário na receita. Recursos nós temos. O que a gente tem que avaliar daqui para frente é uma política tributária que não penalize. Temos que ter respeito para com as pequenas empresas, temos que atrair serviços para Minas, perdemos muito nas fronteiras do Estado por causa da carga tributária. Vamos rediscutir a Lei Kandir. Ela prejudica Minas e o Pará. Nós vamos juntar as nossas forças e derrotar a Lei Kandir.

A chapa adversária diz que tem a maior coligação, com maior número de prefeitos e com alguns que inclusive são da base do senhor - o Dilmasia... Entre prefeitos e vices do PT, PMDB, PCdoB e PRB temos mais de 300. Mas devo dizer que as coligações não são medidas pela quantidade de partidos. Quando você junta o PMDB, que é o maior partido do país e de Minas, o PT, que é do governo, o PCdoB, que tem uma posição muito forte de sua juventude, e o PRB, que tem a figura do vice-presidente José Alencar, então você está juntando o Lula, a Dilma, o Patrus, o Pimentel, o Hélio Costa, o Alencar. Isso não é uma salada de siglas, é um grupo, a equipe do presidente que revolucionou o país. Com relação aos prefeitos, se existe essa doença que liga o nome da nossa candidata a presidente ao do governador, existem tucanos votando em Minas na nossa candidatura.

O senhor é líder das pesquisas. Mas há sempre um comentário dizendo que os votos ainda não estão consolidados... Em 1990 eu era um deputado de primeiro mandato que decidi concorrer ao governo de Minas contra as maiores lideranças do Estado. Fui para o segundo turno. Isso é uma vitória, uma grande vitória. Em 1994, tive apoio de 50 dos 853 prefeitos. Fui para o segundo turno e perdi por 1%. Há 12 anos que eu sou candidato nas eleições proporcionais e, em cada uma delas, eu tive 3,5 milhões de votos, inclusive para o Senado. Quem quiser disputar comigo tem que ter 3,5 milhões de votos. Começa com 3,5 milhões de votos. Quem tiver, que se habilite. (Carla Kreefft)
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