quarta-feira, 16 de junho de 2010

PIB DE MINAS SOBE EM RITMO CHINÊS

Por Marta Vieira, no Estado de Minas:

Expansão mineira com cara de ritmo chinês. Foi o que demonstrou o crescimento da economia de Minas Gerais no primeiro trimestre, em relação ao mesmo período de 2009, em que pese a fraca base de comparação, influenciada pelos duros efeitos da crise financeira mundial especialmente sobre a indústria do estado no ano passado. De janeiro a março, o Produto Interno Bruto (PIB) de Minas cresceu 12,2%, desempenho superior aos 9% observados para o Brasil e aos 11,9% da locomotiva asiática. Os dados que mostram a performance mineira foram divulgados na tarde de terça-feira pela Fundação João Pinheiro (FJP), com base nos levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O setor industrial, o mais afetado pela escassez do crédito no mundo durante o segundo semestre de 2008 e praticamente todo o ano passado, puxou agora a recuperação da economia mineira, com expansão de 22,9%. As empresas prestadoras de serviços contribuíram com resultado 7,5% acima do primeiro trimestre de 2009. A agropecuária, por sua vez, ainda amarga números negativos, de 3,3%, na mesma análise de tempo. Os percentuais não surpreendem quem acompanha dia a dia o esforço das empresas para retomar a trajetória de forte crescimento interrompida no segundo semestre de 2008, como o industrial Lincoln Gonçalves Fernandes, presidente do Conselho de Política Econômica e Industrial da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

"De janeiro a março, o Produto Interno Bruto (PIB)
de Minas cresceu 12,2%, desempenho superior aos 9%
observados para o Brasil e aos 11,9% da locomotiva asiática."

“Com certeza, a indústria mineira já saiu da crise, mas ainda estamos abaixo dos níveis de 2008 e sob o risco de não alcançá-los se o Banco Central (BC) mantiver a política de elevação da taxa básica de juros (aquela que remunera os títulos públicos no mercado financeiro e serve de referência para as operações nos bancos e no comércio)”, afirma. De fato, era natural que a reação dos segmentos mais afetados pela crise no ano passado levasse a números muito altos agora, ao se fazer a comparação de dados. Não se pode desprezar, no entanto, o fato de que a cara chinesa de crescimento da economia mineira reflete as próprias relações comerciais estreitas do estado com o país asiático, maior comprador de itens importantes da produção de Minas, como o minério de ferro e o aço.

A radiografia do crescimento industrial de Minas no primeiro trimestre mostra como grande destaque o mesmo segmento da mineração, com alta de 57,5% de janeiro a março, depois uma crise que fez seus resultados desabarem 25,4% no terceiro trimestre de 2009 e 27,2% no segundo trimestre daquele ano. A construção civil também mostrou seu fôlego, com expansão de 12,9%. Dentro da indústria de transformação, entretanto, as fábricas de máquinas e equipamentos despontaram, seguidas do segmento de metalurgia básica, que reúne as usinas siderúrgicas, com forte peso na economia mineira. Esta chamada indústria de bens de capital, na avaliação de Lincoln Fernandes, da Fiemg, é uma promessa de crescimento nos próximos meses, depois de ter sido o último segmento a entrar em processo de retomada.
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