quarta-feira, 23 de junho de 2010

LULA INAUGURA TERRENO BALDIO; MANIFESTANTES QUEIMAM BONECO DO PRESIDENTE

Por Eugênia Lopes e Leonencio Nossa, no Estadão:
No esforço para impulsionar a campanha da petista Ana Júlia Carepa à reeleição no Pará, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “inaugurou” ontem no Estado um terreno baldio e comandou um comício em estádio de futebol.

Em Marabá, Lula anunciou, num palanque montado num terreno desocupado da Transamazônica, o “início” da terraplenagem para construção de uma usina siderúrgica da Vale. Após o evento, no entanto, o diretor executivo de Ferrosos da empresa, José Carlos Martins, admitiu que, até o fim do ano, a obra não irá além da terraplenagem.

Ela é parte de uma lista de promessas feitas nas eleições de 2006, no Pará, que dificilmente serão cumpridas. Lula e Ana Júlia prometeram também a pavimentação do trecho paraense da Transamazônica e um plano de desenvolvimento sustentável da BR-163. A entrega das eclusas de Tucuruí ocorrerá em setembro, disse a governadora.

Para mostrar a importância do evento que, segundo Lula, “mudará a história industrial do Estado”, assessores de Brasília, da governadora e da Vale providenciaram que uma empreiteira estacionasse no terreno nove retroescavadeiras e 16 caçambas.

Lula e a governadora subiram numa das máquinas para as tradicionais fotos de viagens presidenciais. Nas contas oficiais, a obra da siderúrgica vai gerar 16 mil empregos.

Depois de resistir por três anos a prometer tirar do papel a siderúrgica, disse que a obra ficará pronta em 2013. Até agora, no entanto, quem gastou com o projeto foi o governo do Pará, que pagou um total de R$ 60 milhões em indenizações a 60 fazendeiros ? e por isso está sendo questionado pelo Ministério Público Estadual. Dois deles vão ficar com metade desse valor.

Após o evento, a governadora foi questionada sobre o cronograma das obras da usina. Exaltada, chegou a dizer que elas já tinham começado.

Vaia e protestos. Mais cedo, em Altamira, nem mesmo a presença de Lula evitou que Ana Júlia fosse vaiada por cerca de 10 mil pessoas que lotaram o estádio do Bandeirão, no centro de cidade, onde o presidente defendeu a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte.

Houve ainda uma passeata de cerca de 100 pessoas pelas ruas centrais da cidade. Faixas de protesto foram mostradas e os manifestantes queimaram um boneco gigante de Lula, aos gritos de “Barragem, não. Queremos saúde e educação.” Aqui
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