quinta-feira, 9 de setembro de 2010

LULA E A IMPRENSA: INTIMIDAÇÃO E AMEAÇA

Dilma está em Minas. Lula está em Minas. Um grupo de ministros está em Minas. Em Contagem, o “presidente” entregou alguns apartamentos que fariam parte do PAC — a marca-fantasia para obras que fazem parte das obrigações de um governo. Em Betim, logo em seguida, fez um comício em favor de sua criatura eleitoral: aí já era o militante que falava, entenderam?

Digamos que Lula ao menos mantivesse as aparências — estaríamos num daqueles casos que já citei aqui: César poderia não ser honesto, mas se esforçaria, ao menos para parecer. O homem já passou dessa fase. Sua participação no horário eleitoral, com o discurso em que satanizou a oposição, deixa isso claro.

No discurso de Contagem, disse o PRESIDENTE, não o MILITANTE, segundo informa a Folha Online:
“A minha alegria é imensa de saber que eu cheguei a presidente da República porque, um dia, vocês tiveram consciência política e não tiveram medo de votar em mim. Porque, um dia, vocês acreditaram em vocês mesmos. Eu acho que essa é a grande coisa que eu vou deixar quando eu sair da Presidência: que o povo trabalhador desse país, a classe média e os pobres aprenderam a pensar pela sua cabeça, a andar com suas pernas, a enxergar pelos seus olhos e a votar pela sua consciência, e não pelos pseudo-formadores de opinião pública desse país. E é por isso que o Brasil tá melhorando.”

A expressão “pseudo-formadores de opinião pública” designa a imprensa. A exemplo de Renato Janine Ribeiro, o professor de ética totalitária, Lula não gosta do trabalho que o jornalismo vem fazendo, embora, no geral, ele seja bastante afinado, com as exceções de praxe, com o petismo e os valores de que o partido se quer monopolista. É que as quebras de sigilo são de tal sorte escandalosas que não há como esconder a notícia. Mas que há gente tentando, ah, isso há…

Lula está entre os governantes latino-americanos hoje empenhados em intimidar a imprensa. Na Venezuela, ela já morreu. Agoniza na Bolívia, no Equador e na Nicarágua. Na Argentina, vive o seu pior momento desde o fim da ditadura. No Brasil, o petismo patrocina uma penca de projetos de lei, saída de suas “conferencias”, para, como eles dizem, fazer o “controle social da mídia” — uma expressão esquerdopata para “censura”.

A fala de Lula é, no presente, uma intimidação — tenta ver se o jornalismo recua na cobertura do escândalo do sigilo — e projeta uma ameaça para o futuro caso Dilma seja eleita. Já afirmou, mais de uma vez, que ele próprio só se tornou quem é em razão do trabalho da imprensa — o que é verdade. No poder, Lula descobriu que “notícia” é tudo o que escrevem a seu favor e “mentira e calúnia”, tudo o que ele não gosta de ler.

Digamos que todos os políticos pensem mais ou menos assim. Ocorre que o PT é o único partido que, na democracia, se organizou para calar a imprensa.

Por Reinaldo Azevedo
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