segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O silêncio em Sete Lagoas

 Por Daniel Lanza S. Gonçalves:
Antes que alguém venha reclamar de que o texto que estou escrevendo não vale para este ou aquele site, jornal, rádio ou emissora de TV local, já informo: estou generalizando, tornando como válida a situação da maioria. E mais, venho como cidadão comum com pensamento próprio, sem demonstrar ligação com opiniões de grupos ou instituições que eu tenha contato.

A cada dia fico mais impressionado com a qualidade da imprensa sete-lagoana. Na verdade, fico impressionado com a qualidade geral da cidade.

Não há dúvidas sobre o grande crescimento que Sete Lagoas passou nos últimos anos, acompanhando o crescimento de todo país. Novas indústrias, novos pontos comerciais, atrativo ponto esportivo etc. Porém, o sete-lagoano aumentou ou diminuiu sua satisfação com a cidade? Até onde este crescimento é reflexo da atuação de governantes municipais?

Atualmente, durante a semana, fico a 200 km de Sete Lagoas, onde trabalho como engenheiro em uma grande indústria. Aqueles que me conhecem sabem do meu sonho de retornar para a tal “cidade dos lagos encantados”. Mas, para saber o motivo deste “não retorno” não precisa me conhecer, basta pensar. Os baixíssimos salários praticados na cidade, em qualquer área, não permitem o retorno de milhares de sete-lagoanos que saíram para buscar melhores condições. Disto ninguém tem dúvida, nem mesmo os profissionais da imprensa, que também são impactados.

Como não estou na cidade diariamente, uma forma de tomar conhecimento das coisas que acontecem em Sete Lagoas é através da imprensa local, principalmente websites e rádios com transmissão também via internet. Bom, pelo menos ERA assim que eu tomava conhecimento.

Hoje, eu e qualquer ser humano que busque informações sobre Sete Lagoas utilizando apenas a internet vamos pensar “Que cidade maravilhosa, bem administrada, povo contente, belas indústrias, cheias de oportunidades de empregos, valorização da cultura e do esporte”. Será?

Será que os professores municipais estão satisfeitos com os salários? Será que as escolas estão em boas condições?

Será que nosso sistema de saúde pública está bom? Será que o sete-lagoano está satisfeito com o início das obras do hospital regional ocorrer apenas no final do mandato e ainda sem a certeza de que realmente sairá por completo?

Será que o sete-lagoano está satisfeito com a reforma da Arena do Jacaré pelo Governo do Estado mas constantemente anunciada como uma conquista do Governo Municipal, inclusive permitindo que placas indiquem dizeres “Estádio Municipal” sendo que na verdade pertence ao Democrata FC? Será que os responsáveis por tradicionais clubes esportivos da cidade estão satisfeitos com os incentivos dados pelo município para que continuem vivos?

Será que grupos de congadeiros, teatrais, músicos, escolas de samba, artistas plásticos e diversos outros grupos culturais estão satisfeitos com os incentivos à cultura dado pelo governo municipal?

Será que os sete-lagoanos olham para praças públicas, jardins, lagoas, parques e admiram a paisagem cheia de matos, buracos, artefatos destruídos e sem manutenção? Será que gostam de transitar em ruas e calçadas cheios de buracos, asfaltos ondulados e de péssima qualidade, maquiados com pinturas de faixas também em péssima qualidade?

Será que os usuários do transporte público municipal gostam de transitar em um “transporte alternativo” que de alternativo não tem nada? Será que é divertido andar de micro ônibus disputando tempo e espaço com os grandes ônibus de passageiros pelas ruas da cidade?

Será que é bom para a saúde ver, a cada dia, o esgoto jorrando em bueiros e tubulações de ruas diferentes da cidade? Será que é bom para saúde a qualidade de nossa água?

Será que o sete-lagoano gosta de votar para que uma pessoa governe por 4 anos mas apenas no último ano de governo são realizadas obras (já que a memória do eleitor é curta)?

Se avaliarmos a cidade apenas com o que lemos nas notícias publicadas, iremos considerar Sete Lagoas é só maravilha, porém, se irmos a fundo nos textos veremos na maioria deles teremos a prefeitura como fonte principal da informação. A grande maioria das informações passadas é gerada através de release’s do governo municipal, que, logicamente, publica aquilo que é de seu interesse a promova. Poucos são os criadores, a maioria é apenas um meio de publicação daquilo que foi lançado por alguém.

Com isso, temos os mesmos textos publicados nos mais diversos meios! Basta acessar um site para saber o que estará escrito nos demais.

E não me venham falar de condições financeiras para publicar algo útil! Para contar a verdade ao leitor não é preciso dinheiro, apenas honestidade nas palavras.

Poucos, muito poucos, jornais, sites e rádios falam aquilo que é de sentimento da população, ou relatam aquilo que é de interesse do sete-lagoano, sem marketing político.

Pelo contrário, alguns simplesmente ignoram assuntos ou, até mesmo, release’s que possam prejudicar a imagem do governo municipal. Nem mesmo comentários que vão contra a opinião do texto são liberados pelos administradores.

Creio que todo jornalista (considero aquele que estudou e formou  em jornalismo ou comunicação) aprendeu e fez um compromisso ético com a verdade dos fatos. Infelizmente, “ética” é um assunto complexo ligado ao tempo, cultura, local e grupo. Cada um tem pra si aquilo que é ético!

Enquanto somos bombardeados de textos que mostram apenas a opinião do governo municipal, vamos procurando outras formas para saber as verdades.

E assim, a cidade vai se afundando em seus próprios lagos.
 
 

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