quinta-feira, 3 de março de 2011

CADA POVO TEM O REPRESENTANTE QUE... VALORIZA

O problema que enfrentamos com a legislação que quase impediu Minas de receber o investimento da AMBEV, evidencia um equivoco de valor. Como assim? Vejam: o que temos valorizado - celebrado- em nossos representantes-deputados? A capacidade que eles têm de conseguir essa e aquela verba, não é? Portanto, valor para nós de um deputado está nos $$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$ nos valores que ele é capaz de trazer. Pouco ou nada nos importamos com relação a sua atuação legislativa. Reconheçamos. Queremos um despachante de verbas. Mas, essa imaturidade democrática não é um problema particular da nossa região. Com graus maiores ou menores, essa é uma falha nacional.

Aliás, esse é um problema que tem sua origem na concentração de verbas na União - no pacto federativo - e que precisa urgentemente ser revisado. Os municípios dependes em grande parte de verbas federais, estaduais tem nos deputados seus despachantes de luxo, como diz FHC. Ora, é claro, quanto mais verba melhor, mas que o deputado não tenha que vender alma. Por isso, me alinho com Aécio que defende "novo pacto federativo". A repactuação de responsabilidades e impostos entre União, estados e municípios. Fundamental até para a qualidade de nossa democracia. Uma vez que o deputado deixando de ficar "na mão" do governo para conseguir algumas migalhas ele poderia exercer com mais liberdade e plenitude o seu papel de fiscalizador e legislador.

A questão é que essa repactuação depende em boa medida dos próprios deputados. Para alguns manter o sistema atual é bom negócio. Ele não tem que empregar esforço intelectual para cumprir uma tarefa legislativa, e se desonesto for, fica muito mais fácil passar de "despachante" para corretor, recebendo comissões pelos "serviços prestados". O que precisamos é de representantes completos.

Veja o quão importante seria hoje termos uma legislação que considerasse equação: pequi-desenvolvimento de Minas. Se os nossos deputados na época da criação da legislação atual, tivesse atento para essa necessidade futura, eles teriam atentado para esse aspecto na elaboração da Lei 10.883 pela Assembléia. Lei que está impedindo a instalação da AMBEV e pode comprometer outros projetos de investimentos. Ou seja, foi desconsiderado esse interesse futuro.

Bem, mas a culpa é apenas do deputado que não teve visão futura de uma necessidade nossa? Não, claro. O erro pode ter começado na escolha do deputado elegemos. E depois naquilo que lhe cobramos - valorizamos - enquanto representante eleito. Aqui a velha máxima de que "cada povo tem o representante que merece", pode ser ajustada para cada povo tem o representante que valoriza. Ou seja: qual é valor de um deputado para nós: 1) Aquele que é capaz de conseguir verbas? 2) O outro que é capaz ajudar a formular e aprovar boas leis? 3) Ou, um que ajuda a fazer uma legislação que garanta um fluxo continuo de verbas e crie leis que atendam as nossas demandas?

Se queremos um representante completo sob todos os aspectos de uma atuação parlamentar, temos que mostrar que isso é um valor para nós como sociedade - muito antes da eleição.

A mudança é de valor. E quando tivermos claro o que é valor para nós na atuação de um representante parlamentar, saberemos, acredite, formar líderes com tais valores, atraí-los para nosso recrutamento eleitoral e seleção - escolha- que será muito mais eficaz. Porque não basta eleger um deputado, precisamos de um representante dos nossos valores.

Que tenhamos grandes valores!

(data original da postagem: quinta-feira, 19 de agosto de 2010, às 19:13)
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