segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Cenário Político de Sete Lagoas


Por Leonardo Barros:
Hoje a eleição municipal caminha para ser um tira teima da eleição passada. O quadro de candidatos deve se repetir com a diferença que a maquina municipal trocou de mãos de Leone (PMDB) para Maroca (PSDB). Emílio (PSB) o terceiro mais votado na eleição, mas bem atrás dos dois também será candidato novamente agora um pouco mais forte. A novidade que poderia surgir é a candidatura de outro ex-prefeito, Múcio Reis, que disputaria pelo PMDB. Ainda poderia se apresentar uma outra novidade representando uma alternativa de mudança do status quo político, mas não se avista isso hoje.

Dentro deste cenário a situação de cada candidato hoje é a seguinte: o prefeito sofre como é sabido de um alto grau de rejeição, que ora ele tenta reverter com uma ofensiva administrativa e de comunicação para ao menos chegar com alguma chance no ano que vem. Apesar do seu visível esforço não há sinais de que a sua rejeição vá se reduzir. As suas dificuldades frente a população ultrapassam a má avaliação com o seu governo ele pessoalmente é percebido com um prefeito ruim - alguém inadequado para o cargo - um ausente. "A gente não vê ele e um prefeito tem que dar a cara para bater", diz em síntese grande parte da população. A verdade é que a cidade quer muito mais do que ele pode oferecer e isso é evidente para a sociedade.

Mas isso significa que o atual prefeito é carta fora do baralho? Não é claro. E não é só porque ele tem a maquina na mão é porque os competidores também não estão com essa bola toda. Nesse sentido a o risco da continuidade administrativa superar a rejeição e levá-lo conquistar a reeleição por falta mesmo de perspectiva muito melhor com os outros.

O grande problema é que as alternativas que se apresentam não representam um novo, uma mudança de verdade que a população tanto deseja. Elas, as alternativas, representam o passado e não o futuro. Senão veja. Leone Maciel é um velho político com um estilo fanfarrão; Emílio Vasconcelos é o filho da tradição seu pai foi prefeito e seu avô também; Múcio Reis, que também pode ser candidato, apesar de ter tido uma administração bem avaliada em questões com a Saúde e a Educação teve sérios problemas com as finanças da prefeitura, deixando de pagar o funcionalismo por vários meses. Como se isso não bastasse ele tem um grande passivo privado que foi a quebra da sua empresa que causou sérios prejuízos a quem apostou, por exemplo, na década de 90 em um empreendimento - shopping - que ela construía na orla da lagoa Paulino, que até hoje continua parado.

Entretanto uma pesquisa que não tive acesso a detalhes dela realizada pelo PSB Estadual mostrou o seguinte quadro: Leone Maciel em primeiro, Emílio na segunda posição e Maroca apenas em terceiro lugar. Isso reforça um quadro com prognóstico eleitoral indefinido. Neste caso tanto porque uma pesquisa hoje tem pouco valor para eleição do ano que vem, mas neste caso ela deve ser considerada no sentido de que não há um favoritismo para o governo, que se tivesse na frente hoje teria grandes chances de estar com a fatura liquidada.

Diante desta situação indefinida uma análise do quandro sete-lagoano tem que considerar a posição de cada um no tabuleiro político e até suas características particulares como políticos. Vejamos então a situação de cada um hoje:

Leone Maciel: É o mais conhecido entre os candidatos, teve uma administração bem avaliada com diferencial de que não governou integralmente durante um mandato - teve apenas 2 anos de governo -  e assim mesmo conseguiu bons feitos. Entre os quais 1) é o grande responsável por Sete Lagoas ter superado os obstáculos existentes e ter conseguido a fábrica da AmBev no município; 2) conseguiu convencer o Estado a instalar aqui um Hospital Regional; 3) fez grandes obras viárias; 4) é dele o mérito pela conquista dos recursos do PAC para o município. Mais ele tem o apoio do deputado federal Márcio Reinaldo (PP) e do vice-governador, Alberto Pinto Coelho o que pode compensar o apoio que o prefeito deve ter do governo Estado, isso claro porque o prefeito é do mesmo partido do governador, uma vez que até o governo do Estado não o vê com bons olhos.
Pontos fracos do Leone. Tem o cacoete do velho político - ele é um tanto fanfarrão, as pessoas mais próximas dele são figurinhas carimbadas na cidade o que é um peso adicional negativo na imagem de velho político. Ele não age estrategicamente: falta-lhe planejamento de campanha - uma ação profissional, sem a interferência excessiva dos companheiros e companheiras mambembes. Não fosse essas coisas ele é ingênuo e subestima o atual mandatário que o venceu na eleição passada. Ela trata o prefeito como uma rainha da Inglaterra, quando na verdade o sujeito é raposa malvada travestido de bom moço. Corre o risco de ver o seu sonho de voltar a prefeitura fracassado se não agir de forma mais profissional e continuar subestimando o Maroca.

Emílio de Vasconcelos. Emílio aparece como a alternativa nova e mais jovem nesta eleição. Ele cresceu da última eleição para essa como candidato mais competitivo. Filiando ao PSB ele terá mais tempo de televisão com o crescimento nacional do seu patido e pode contar com o apoio da capital, onde o prefeito Marcio Lacerda é do seu partido, se se mantiver competitivo até até a eleição. Outro ponto que deve ser destacado como positivo seu é exatamente o negativo do ex-prefeito Leone Maciel: Emílio se cerca gente mais profissional e, portanto, organiza melhor sua campanha.

Pontos fracos. É menos conhecido entre os três (ele, Leone e Maroca) mais prováveis candidatos - Múcio é uma incógnita. Ele não tem muito o que mostrar vai tentar se agarrar ao que supostamente fez como secretário do pai que foi prefeito de 1989 a 1992 - não tem também porque se furtou do envolvimento maior nas grandes questões atuais. Apostara em propostas, mas tem de ir muito além do que fez na última eleição onde apesar da organização operacional da campanha suas propostas não marcaram e nem empolgaram. Ele também fala bem, mas se comunica mal - falta-lhe carisma. Explicando melhor e no detalhe: sua comunicação é mais para o outro do que com o outro, o que parece bem sutil a diferença e é, mas faz toda a diferença. Para mudar a comunicação terá que ir além dela saindo do seu mundo de classe média tradicional para vivenciar o dia a dia de uma cidade urbana com uma população crescentemente de fora: se o fizer poderá tentar projetar uma nova visão de cidade e despertar a esperança e se consolidar como novo. Difícil tarefa. Politicamente apesar do seu partido, o PSB, ter se fortalecido e ter mais tempo de TV ele não conseguiu aglutinar muito mais forças políticas e partidárias ao seu lado. Encontra-se isolado partidariamente. Ou seja, tem uma tarefa hércula gigantesca pela frente.

Maroca
Bem, eu disse acima que o Maroca não podia ser descartado - "uma carta fora do baralho". E creio que não pode e não deve. Entretanto e coincidência enquanto eu escrevia essa análise liguei o rádio (24/10/11 às 12:00) num programa de entrevista quando ouço: "Maroca está fora do jogo" para a eleição do ano que vem e só voltaria ao jogo político se conseguisse melhorar a administração. Fosse um adversário a dizer isso eu ignoraria, mas quem disse isso foi o secretário de Meio Ambiente, uma pessoa da confiança do prefeito que acabou de assumir a pasta por uma escolha pessoal do Maroca. Achei tão estranho que telefonei-lhe para perguntar se ele sabia de algo novo - uma pesquisa, por exemplo. Ele disse falou o que falou baseado no que ouve das pessoas. E pode não estar errado, porque nunca se viu em Sete Lagoas um prefeito com tamanho nível de insatisfação popular. Bem, mas por prudência o prefeito não pode ser descartado.

Nesse sentido, vejo Maroca um nome na disputa com alguma chance menos por sua difícil recuperação que pela incompetência eleitoral dos seus adversários, sobretudo o Leone Maciel. O problema para ele, Maroca, é que ele levou 3 anos na administração Municipal para se desfazer de alguns valores atrasados e só agora começa a constituir um governo com novas diretrizes que podem oferecer algumas respostas as necessidades da população. Muito tarde para mudar um conceito sobre si, que a cidade vê como apenas um esforço eleitoreiro do que uma mudança real sua. Ele é um sujeito limitado na visão e faz um governo de ambições modestas, para dizer pouco. Ou sendo mais explicito ele e seu governo são medíocres. Assim, a população dificilmente vai querer arriscar mais quatro anos. O mais provável é confirmar o desejo coletivo de arrancá-lo do poder. A contagem é regressiva e ela já começou para o Maroca.

Por último restaria tratar de Múcio Reis (PMDB), mas este é uma verdadeira incógnita: seja pela sua situação financeira de insolvência, seja pela questão da sua saúde debilitada e ou seja ainda pela sua ausência da discussão política. É tão difícil ele ser candidato assim como como ganhar a eleição. Não merece mais delongas a não ser que surja um fato novo.

Há um nome que eu não tratei:  o deputado eleito por Sete Lagoas Duílio de Castro (PMN), mas este se elegeu dizendo que "Sete Lagoas não pode ficar sem deputado", portanto, é muito difícil ele arriscar uma tentativa de abandonar o mandato no meio descumprindo o seu principal compromisso com a cidade. E para fazê-lo ele teria que superar duas outras questões que se colocam: 1) como ajudou a eleger o atual prefeito em 2008 e teve o seu para se eleger deputado em 2010 ele dificilmente aventuraria-se a enfrentar o Maroca. Ou seja, a possibilidade mínima de ele disputar seria se o prefeito não fosse tentar a reeleição, ainda assim o PSDB poderia optar por um outro nome que não o seu. 2) O deputado Márcio Reinaldo de quem ele próximo já mandou avisá-lo que não o quer como candidato, ameaçando até ele próprio - Márcio Reinado (PP) ser candidato com Leone de vice caso o Duílio resolva disputar.

E para dizer que não esqueci de um nome que hoje ronda o processo lembro que o Ronaldo Canabrava outro da velha guarda política esse com histórico de assombrar: ele foi cassado pela Câmara em 2006. Apesar de haver muitas dúvidas sobre a condução do processo de cassação pela Câmara, que restou com sérias suspeitas de que houve corrupção e de compra de votos pela sua cassação ele dificilmente tem possibilidade de recuperar-se politicamente do tombo. O que ele pode fazer é ser uma assombração para o Leone Maciel, o qual ele acusa de como seu vice ter tramado a sua queda. Ele quer porque que quer vingar-se de Leone. Enfim, Ronaldo Canabrava é mais uma pedra no sapato de Leone que um candidato autêntico na sucessão, ainda que venha se viabilizar como candidato. O que pouco provável porque seus direitos políticos ainda estão suspenso e ele poderia ser um grande fiasco como candidato agora e assim deve preferir o papel de vítima e ficar assombrando aqui e ali o seu desafeto.

E o PT? O PT é fraco em Sete Lagoas, apesar de a carona que pegou coligando-se localmente ao seu rival em nível nacional, o PSDB, o que lhe valeu a eleição de 3 vereadores. Nessa eleição, porém, é quase certo que o partido busque um caminho mais orgânico: lança candidato próprio e tenta fortalecer-se ideologicamente como um partido com identidade de esquerda. É a aposta do novo presidente. O partido ficará menor, porém, menos fisiológico localmente, como vinha sendo nos últimos tempos, configurando-se uma legenda oportunista, caroneira e sem identidade. Resumo. O PT vai marcar posição, mesmo ao custo de ficar ficar bem menor.

Eis aí o cenário político de Sete Lagoas.
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