quarta-feira, 4 de junho de 2014

EXEMPLO DE URBANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO

Diversa, compacta e segura

Em São José dos Campos (SP), a ocupação dos espaços sempre foi bem planejada. O próximo passo é o aumento da verticalização da cidade

Gabriel Castro, de São José dos Campos (SP)
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Expedição VEJA na cidade de São José dos Campos, em São Paulo
Expedição VEJA na cidade de São José dos Campos, em São Paulo - Jonne Roriz
Quando o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) se instalou em São José dos Campos(SP), em 1950, a cidade começou a trilhar um caminho único entre os municípios brasileiros. Não havia outro centro semelhante no país, o que naturalmente causou a distinção da cidade como capital aeronáutica nacional - e depois, da América Latina. 
São José dos Campos fica a 100 quilômetros de São Paulo e tem uma topografia privilegiada, o que ajuda a explicar a instalação do ITA nessas terras. Mas o crescimento também está ligado ao histórico de planejamento do município.
A partir de 1935, por mais de duas décadas, a cidade foi uma estância sanatorial para tratamento da tuberculose. O clima de serra, a pouca distância de São Paulo e a população reduzida eram ideais para os métodos da época. Ao mesmo tempo, o receio de que a doença se espalhasse pela cidade motivou o poder estadual a criar um zoneamento bem dividido, além de avenidas largas e arborizadas para garantir a circulação de ar puro.
Da fase sanatorial, o que restou foi a tradição de organização do espaço urbano. Desde a chegada do ITA até esta quarta-feira, quando a Boeing instalou na cidade o seu primeiro centro de pesquisas na América Latina, São José dos Campos ganhou 1.700 indústrias no setor de tecnologia. Passou a abrigar fábricas de gigantes como General Motors e Petrobrás. E tornou-se a sétima maior cidade do Estado de São Paulo, com 675.000 habitantes.
O planejamento foi essencial para assegurar que, apesar do crescimento significativo e da chegada constante de migrantes, os índices de desenvolvimento se elevassem constantemente. A taxa de homicídios é menor do que a cidade americana de Boston. E a rede educacional do município é uma das melhores de São Paulo.
"São José conseguiu implantar a duras penas um ideologia de planejamento da cidade. A população cobra porque quer uma cidade ordenada e bonita", diz o secretário de Planejamento da cidade, Emmanuel Antonio dos Santos, que também é professor do ITA.  
Para continuar crescendo com organização, a cidade já começou a elaborar uma nova lei de zoneamento. A saída deve ser  apostar na verticalização para ter uma cidade diversa (porque haverá menos bairros isolados), compacta (porque a densidade populacional aumentará nas áreas ocupadas) e segura (porque as ruas dessas áreas serão mais movimentadas).

Ciclo de riqueza

Gabriel Castro, de São José dos Campos
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Expedição VEJA na cidade de São José dos Campos, em São Paulo
Expedição VEJA na cidade de São José dos Campos, em São Paulo - Jonne Roriz
O ônibus da Expedição VEJA deixou São José dos Campos (SP) antes das 9h desta quinta-feira para o seu último trajeto: o trecho de 100 quilômetros até São Paulo, de onde nossa equipe partiu em 6 de maio.
Em São José dos Campos, nós conhecemos uma cidade voltada para a tecnologia de ponta, que exporta aviões para o mundo todo, e que ao mesmo tempo se preocupa em manter o planejamento urbanístico. Dos migrantes que chegam à cidade, a maior parte é de classe média. A existência de bons empregos é a principal explicação. A boa oferta de comércio e serviços também conta. E a localização é crucial: a cidade está a uma hora de distância tanto da capital paulista quanto do litoral norte, e a quarenta minutos de Campos do Jordão.
Das cidades visitadas pela Expedição VEJA, São José dos Campos é a que iniciou mais cedo o ciclo virtuoso gerado pela produção de riquezas. É também a maior em tamanho, com 675.000 habitantes. Por isso, muitas lições daqui (como o incentivo à inovação e o planejamento criterioso) podem ser aplicadas em outras cidades por onde nós passamos. Uma delas é a pequena Porto Real (RJ), de 17.600 habitantes, que há pouco mais de uma década se transformou na sede de grandes indústrias e agora começa a organizar seu crescimento para as próximas décadas.
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