quinta-feira, 26 de maio de 2016

A POLÍTICA DESPOLITIZADA

Data original da postagem 10 de agosto de 2010.
Fazer política virou sinônimo de fazer ONG - assistencialismos diversos? É o que se vê cada vez mais acontecer. E este movimento pode ser uma das causas do rebaixamento crescente da política como tal? E pode residir aí também a explicação para os legislativos, começando pelo Congresso Nacional, ser um mero apêndice dos governos. É essa questão que pretendo tratar neste texto, valendo-me de um exemplo concreto.

Sábado esteve fazendo campanha em Sete Lagoas o vereador de BH Luis Tibé (PT do B), na entrevista que deu e interrompeu grosseiramente, seu auxiliar revelou o desconhecimento do candidato em relação as demandas do município que quer os votos. Mas, apesar da grosseria o fato que me chamou mais atenção na passagem ligeira do candidato foi outro: a sua proposta.

E ela, a sua proposta, me chamou a atenção pelo objetivo explicitando. E qual é o objetivo? "Transformar um projeto que hoje é sucesso em Belo Horizonte num direito de todos os mineiros". Segundo diz o texto a sua "ONG VALORIZAR", já formou milhares de pessoas nos mais 40 cursos gratuitos, o intuito é "chegar aos milhões". "Por isso, é muito importante chegarmos à Câmara dos deputados."

Ou seja, sua chegada a Câmara corresponderá a "transformar" esse projeto (ONG VALORIZAR) num direito de todos os mineiros. Viram que nobre objetivo, tem o jovem candidato? E o que, então, tem de errado nisso? Adiante, vamos ver o que pega.

Ah, então eu seria contra uma ONG que oferece cursos gratuitos? De jeito nenhum. E lembro que eu participei de uma "ONG", e mais, além de ter atuado numa eu mesmo tive a sua colaboração na adolescência. Vale, porém, uma ressalva que a ONG da qual participei, até o momento que estive lá era totalmente apolítica. De volta ao ponto, o objeto principal da minha crítica, que não diz respeito somente a este caso é ver que o fazer política vai se transformando em fazer ONG assistencial e a política vai ficando de lado. E isso está errado e me é evidente que tem algo ainda mais errado nessa forma de estabelecer relação vínculos com a população. É uma relação de promiscuidade.

Neste caso onde o vereador Tibe promete levar cursos a milhões de pessoas através do projeto se se transformar em deputado federal é uma meta estranha para um deputado federal. Eu gostaria que ele respondesse qual é a relação direta que tem uma coisa com a outra: deputado federal igual a milhões de cursos. E a outra questão até mais importante do ponto de vista do papel político é que este está omisso na sua proposta. Quer dizer, a população vai eleger um deputado e vai receber uma ONG? É isso que a sociedade espera dos políticos? Ainda que ter uma "oportunidade" de qualificação seja, e é uma necessidade real para muita gente, não deve ser uma ONG atender essa demanda de "milhões". A propósito tipo de organização que deve ter um papel complementar e não de substituto do estado. Ou vamos então assim dedicarmos a política de ampliação de ONGs ao invés de implementarmos políticas públicas que ofereça as "oportunidades" que as pessoas precisam.

E já me aproximando do final o que me deixa triste é saber que esse tipo de atuação passa a ser o enfoque do político, ficando absolutamente ausente o fazer político classico: fiscalizar e legislar. É por isso que os governos fazem a festa com esse tipo de parlamento.
Postar um comentário