segunda-feira, 31 de maio de 2010

"SE EXISTISSE CONCORDATA O MUNICÍPIO ESTARIA DE CONCORDATA", RODRIGO PAIVA (PSDB)

Posso resumir assim o que vocês vão ler abaixo: eu estava procurando (juro) o que havia de bom na administração Maroca e estava oculto, acabei (sem querer) descobrindo o que há de gravíssimo e estava oculto.

Este texto foi produzido com base na entrevista feita na sexta-feira 28 de maio de 2010, às 15:15, numa sala do gabinete do prefeito Maroca. E aconteceu, absolutamente, por acaso. Eu fui até o gabinete depois me dirigir a secretária de comunicação procurando Ana Luiza para que ela me informasse o quê, acreditem, que estaria acontecendo de bom no município promovido pela administração Maroca e não estaria sendo revelado. Encontrei Cristiane, aquela moça que não tem lá exatamente um rostinho de bons amigos, mas assim mesmo, na falta de Ana Luiza, comuniquei-lhe meu pleito, ela me disse que não estava autorizada a se pronunciar - nem sobre o que havia de bom. Indicou-me Márcio Vicente no gabinete do prefeito.

Ok. Fui até lá ele não estava, mas gentilmente a moça da recepção que é muito banca [Xii, esqueci seu nome], disse que Rodrigo Paiva estava e perguntou se podia ser com ele. Sim, disse-lhe. Ela entrou em contato com ele que aceitou me receber sem estar agendado. Bem, vamos adiante.

Rodrigo Paiva meu ex-correligionário do PSDB, primo do prefeito Maroca e um dos mais importantes homens desse governo me recebeu muito gentilmente. Como disse-me disse Tadeu Machado outro dia: tem que saber ser anfitrião. E, desta feita, começamos uma conversa que rendeu como verão.

Pois bem, expus inicialmente a Rodrigo Paiva minha demanda: "conhecer as coisas boas que estavam acontecendo na administração, ou promovido por ela que a cidade não estava sabendo". Ele até ensaiou o discurso nessa direção me falando de um programa da Cemig, o Reluz, que iria fazer a iluminação da av. Castelo Branco, trevo da BR 040, av. Cachoeira da Prata que agora passou a se chamar Sebastião Silva em homenagem a "um jornalista" assim como você disse-me Rodrigo. Sabiam da mudança de nome da via? E quanto a eu ser tratado como jornalista é um posição que não fico dizendo que sou, mas não vou ser indelicado com quem pensa que sou, não é mesmo?

De volta ao ponto, porque quem vai desviar surpreendentemente a direção da conversa é Rodrigo Paiva. Ah, sim: ele pensou que estaria com o microfone ligado quando começamos a conversar. Perguntou se eu estava gravando e que não teria problema se tivesse. Mostrei que não, e só iniciaria a gravação com seu consentimento e se por acaso considerasse que valia a pena. E não é que começou a valer a pena, então liguei o microfone com o seu devido consentimento, algo que ele fez questão de informar espontaneamente no fim da entrevista. E a conversa que eu que fui tentar descobrir o que estava acontecendo "de bom" acabou se transformando uma entrevista que revelou ironicamente o que está acontecendo de muito ruim?, DRAMATICO até.

É isso mesmo,e essa frase é síntese: "Se existisse concordata o município estaria de concordata". Como disse eu queria saber o que havia de bom e fiquei sabendo o que havia de DRAMATICAMENTE GRAVE E ESTAVA OCULTO DA SOCIEDADE. E porque essas coisas bombásticas caem no meu colo e não na mão dos jornalistas profissionais? E sei lá eu, quem sabe eu tenha o poder mágico hipnotizar o interlocutor para descobrir os seus segredos? Não, é nada disso, apenas a técnica de um vendedor como gosta de me qualificar o Maroca, um dos meus primeiros fregueses da Sharp, quando cheguei para Sete Lagoas em 1992. É... eu estou aqui fazendo uma graça ou outra, mas a situação revelada por Rodrigo Paiva (PSDB) não é para brincadeira não.

O quadro que Rodrigo mostrou para empregar uma palavra por ele mesmo na conversa é de falência das contas municipais. Diante do exposto por um quadro da mais cúpula governamental do município tem haver uma imediata reação, senão da Câmara de vereadores que morreu e esqueceu de cair, pelo menos das entidades de classe, da população em geral, enfim, a sociedade tem de tomar uma providência urgente.

A situação está infernal. Ou senão vejam outra expressão do drama que vive a administração municipal: "É um inferno." E o experiente Rodrigo explica melhor esse "inferno", vejam no próximo parágrafo, volto em seguida:

- Acontece que nós temos uma linha muito forte de comprometimento com o governo da União, o governo da União sistematicamente vem bloqueando o FPM, que é Fundo de Participação dos Municípios. Bloqueando de que maneira? Informa pra gente que tem um haver de 2 milhões de reais e um débito já descontando a favor do INSS da União.

Ele me explicou que "isso da um baque na receita em torno de 30, 40%, na receita. Então, da aquele desconforto. Tem a dotação, que é o orçamentário, que o estimado e não tem o financeiro”. Novamente vejam suas palavras:

- Eu to dizendo que é um desconforto enorme. Desconforto que desequilibra qualquer administrador. Se não fosse Maroca com toda a sua tranquilidade, toda a sua experiência deve-adquiriu aqui agora, ? Éramos para nós estarmos falido, a verdade é essa. Não é possível. Se existisse concordata o município estaria de concordata.

Viram o seu desespero? Mas apesar disso eles querem continuar insistindo numa providência que poderia agravar ainda mais a situação da cidade, levando-a falência múltipla. Eles talvez só não vão cometer uma bobagem definitiva não por que tem responsabilidade, mas porque serão impedidos pelo Tesouro Nacional.

Sabem aquele empréstimo do BNDES de R$ 72 milhões do qual eu tanto lutei contra, ao ponto do deputado federal Márcio Reinaldo dizer que eu estou atrapalhando Sete Lagoas? Ele está emperrado em função da cidade estar com o nome sujo. É isso mesmo que você está lendo certo a cidade está metaforicamente para usar figura conhecida do consumidor com o nome no SPC.

Rodrigo Paiva me comunicou que Sete Lagoas não conseguiu a CND - CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS, justamente por não estar honrando com as suas dívidas renegociadas junto a Previdência. Aliás, é por isso que o município já está sendo penalizado com o bloqueio de recursos pelo Governo Federal, dos repasses do Fundo Participação dos Municípios, como ele detalhou e está acima.

A situação é desalentadora para quem sonha com uma cidade melhor, mais dinâmica e próspera. Sete Lagoas ao contrário no que depende da sua capacidade de investimento está cada dia pior, atrasada e pobre. Uma Tristeza? Mas é a realidade, que nos atormenta.

Uma realidade que apesar de descrita como um quadro para concordata se a cidade fosse uma empresa não é compreendido pelas nossas autoridades de agora, assim como não foi do governo passado. Estupidez essa que faz os senhores Paulo Rogério, secretário de Obras e Ricardo Lúcio, secretário de Administração irem ao BNDES, no Rio de Janeiro hoje, para tentar convencer o banco a emprestar os R$ 72 milhões para Sete Lagoas. Uma tentativa que revela a completa cegueira dessa administração, uma vez que mesmo sentindo os efeitos perversos de gestões equivocadas do passado, pretende trilhar o mesmo caminho que fez a infraestrutura de Sete Lagoas estar entre as mais precárias para se viver.

Isso é uma assombrosa irresponsabilidade.


A seguir trechos da entrevista (acrescentei o áudio):




Rodrigo Paiva - Acontece que nós temos uma linha muito forte de comprometimento com o governo da União, o governo da União sistematicamente vem bloqueando o FPM, que é Fundo de Participação dos Municípios. Bloqueando de que maneira? Informa pra gente que tem um haver de 2 milhões de reais e um débito já descontando a favor do INSS da União. Produto de 30 anos, 20 anos atrás.

Eu - Então tem havido esse bloqueio em função...

Rodrigo Paiva - Exatamente. Isso da um baque na receita em torno de 30, 40%, na receita. Então, da aquele desconforto. Tem a dotação, que o orçamentário, que o estimado e não tem o financeiro.

Eu - Porque não entra no caixa.

Rodrigo Paiva - Não entra no caixa.

Eu - Porque na verdade tá havendo o quê? Como é a palavra?

Rodrigo Paiva - Bloqueado.

Eu - Tá sendo bloqueado pelo governo federal.

CONCORDATA
Rodrigo Paiva - Eu to dizendo que é um desconforto enorme. Desconforto que desequilibra qualquer administrador. Se não fosse Maroca com toda a sua tranquilidade, toda a sua experiência deve-adquiriu aqui agora, ? Éramos para nós tarmos falido, a verdade é essa. Não é possível. Se existisse concordata o município taria de concordata. Agora a gente chegando mostrando os atuais administradores quer seja na área estadual ou federal, essa dificuldade com a gente vem enfrentando. E eles tem nos acolhindo inteiramente bem, tanto é que nos deu a ampliação da Norte Sul, Perimetral , nos deu uma boa ajuda na Arena do Jacaré - tá lá uma bela obra que tá sendo feita. O PAC foi aberto com todas as formalidades legais pra gente pra gente completar a documentação, tá sendo providenciando agora, já alcançou um marco que Sete Lagoas está sendo modelo, refência hoje.

Eu - Agora diante dessa dificuldade, porque na verdade foi uma coisa que vocês... [Rodrigo interveio, segue sua intervenção]

INFERNO
Rodrigo Paiva - Chuva em maio, junho, deve chover hoje, por exemplo, tá ameaçando chuva. É um inferno. O piso de Sete Lagoas precisa ser rancado e botando outro.

Eu - Agora adianta rancar o piso de Sete Lagoas sem reestruturar toda a rede de água e esgoto?

Rodrigo Paiva - É exatamente isso que vem o PAC, a hora que o PAC se tornar realidade, que coisa de questão de dias, não é? Esse sonho do piso mais permanente, mais inteiriço é viável. Agora tem que ter tempo.

Eu - Certo, acontece que nós estamos diante de uma mudança de governo, estamos há poucos meses do fim do governo Lula, e a gente tem visto que o governo Lula não tem sido muito eficaz no gasto, o PT não consegue gastar, o PT tem uma dificuldade muito grande em investimento. Sete Lagoas não está apostando numa canoa furada?

Rodrigo Paiva - Não, primeiro que nós não temos compromisso nenhum com o PT.

Eu- Eu estou dizendo administrativamente.

Rodrigo Paiva - Pois é, administrativamente nós não temos compromisso.

Eu - Do governo federal, federal - do governo federal.

Rodrigo Paiva - Só um exemplo de um estado parâmetros para esse tipo de administração específica o governo de Aécio é um sucesso

Eu - Eu concordo

Rodrigo Paiva - Aécio levou dois anos pra administração pegar o perfil dele na administração porque vinha de uma administração tumultuada que era do Itamar.

Eu - Na verdade eles levaram dois anos para completar o Choque de Gestão, porque ELES COMEÇARAM NO PRIMEIRO DIA. Foi por causa disso que eles conseguiram como vocês conseguiram também a lei delegada aproveitaram isso para fazer uma série de reformulação.

Rodrigo Paiva - Informações, esse detalhe, NÓS NÃO TÍNHAMOS PONTOS DIAGNOSTICADOS AINDA... Aécio teve sorte de bem ou mal pelo menos tinha transparência no governo que sucedeu, nós não tínhamos.

Eu - Vocês não conseguiram fazer uma grande reestruturação, vocês fizeram pequenas aqui e acolá, isso não foi muito tímido?

Rodrigo Paiva - Foi necessário, fizesse uma coisa mais brusca como? Você faria uma reformulação em cima de quantos empregados: 5 mil? 6 mil? 7 mil? 8 mil? Se não sabe qual é número.
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